Segunda-feira, 14 de Setembro de 2009

Os crimes do poeta


'A dead Poet being carried by a Centaur' de Gustave Moreau
“A dead Poet being carried by a Centaur”  de Gustave Moreau


Nada posso saber
e nada sei desses crimes
de abjurações.
Talvez, crime hediondo?...
Mas deve ser ele
o culpado.
Um sujeito que beija colibris,
que carrega o mapa dos caminhos
e se perfuma nos raios de lua...
Que se banha no orvalho,
que conversa com os peixes
e os pássaros,
com avencas, dálias
e, com rosas, tira prosa...
Que usa um gafanhoto na lapela,
que assobia e sussurra
o nome Dela,
que atravessa a ponte,
para beber a água da fonte
e da sabedoria...
Que tem intimidades
com o arco-íris,
que deita e dorme
na Via Láctea,
que faz louvação
às noites estreladas,
onde a solidão é nada...
Que conhece
a linha do horizonte,
que tem os pés
em todos os rios,
que se perde no labirinto
dos sonhos,
que carrega consigo
muitas catedrais,
que fala, corretamente,
o idioma dos absurdos,
que entende, preferencialmente,
os loucos,
que é dono dos prantos
e reclamos
das coisas do amor...
Que é vizinho da dor,
que vive nas nuvens
e sabe tudo dos grilos
e dos ventos uivantes...
Que desabrochou as margaridas
e os lírios do campo...
Só pode ser ele!
(quem mais seria?...)
O poeta!
Recomendo a pena capital.


De: João Costa Filho


 


publicado por jpcfilho às 13:45
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4 comentários:
De Alzira Macedo a 16 de Setembro de 2009 às 10:38
Adorei esse Crime do poeta...
Muito lindo mesmo parabens...
Tens um mimo em meu blogue, podes lá ir e ler...
beijos


De Sonhosolitario a 18 de Setembro de 2009 às 00:47
olá estimado amigo Jpcfilho
estou aqui para lhe dizer que tem dois miminhos no meu cantinho
um forte abraço
sonhosolitario


De ana poeta. a 18 de Setembro de 2009 às 14:05
Querido poetamigo.

João.

Seus versos singulares como sempre, muitas saudades de te ler e da sua doce companhiatb.

Beijos Poéticos.
;******


De M.Luísa Adães a 20 de Setembro de 2009 às 18:37
João

Lindos os teus versos

do sujeito que beija colibris

se perfuma nos raios de lua

se banha no orvalho das manhãs

e conversa com os animais

e ainda dono e senhor

das coisas do amor

e dos ventos uivantes

Só pode ser um Poeta...

Mas não lhe dou pena capital! Não dou!

O louvo e absolvo e o levo aos Céus,
por onde ele caminha.
Dou-lhe um destino diferente! Sou uma romântica.

Belo poema,

Maria Luísa


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