Quinta-feira, 7 de Junho de 2007

Minha natureza


'The extraction of the stone of madness' de Hieronymous Bosch
      "The extraction of the stone of madness"  de Hieronymous Bosch


Mentir, para mim,
não é difícil,
sempre que preciso.
Trair, para mim,
só se necessário
e, geralmente, é.
Como posso ir ao cume
e torturar, se preciso for.
Matar...
Ah! matar!...
Isso é meu cotidiano!
Já matei pela religião,
já matei pela pátria,
já matei pela mãe,
pelo pai, pelo irmão,
mas já roubei a pátria e traí
a mãe e
enganei
meu irmão.
Já matei o pai,
traí a mãe,
envenenei a pátria.
Já traí tudo!...
Dizem que tem um criador
e, se ele aqui vier,
também será abatido,
como já aconteceu...
Faço qualquer coisa,
apenas por fazer
ou por não sei o quê.
Sei que mato,
pelo meu clube,
pelo meu pastor.
Mato o homem que iludi
e pelo homem que me iludiu.
Mato a natureza,
mato o amanhã,
mato o fim de tarde,
mato o fim do mundo,
e não quero saber
como vai ficar,
se tudo já é escuridão...
E nem quero pensar
por que sou... o quê?...
Pois não penso,
logo não existo...


De: João Costa Filho



publicado por jpcfilho às 21:40
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