Segunda-feira, 27 de Agosto de 2007

O sono é irmão da morte...


'Sleep' de Francisco de Goya
                                                  "Sleep"  de Francisco de Goya


"O chão que pisas
a cada instante te oferece a cova"
(Junqueira Freire)


"Eu cambaleava de sono e a voz da sabedoria me disse:
nunca no sono a rosa da felicidade floriu para ninguém,
por que te entregares a este irmão da morte,
se tens muitos séculos para dormir?"
(Omar Kahian)



Tanta gente querendo viver...
E você deitada aí,
como se defunta fosse...
Tanta gente em leito de hospital,
sonhando com ladeiras íngremes
e ruas de sol,
onde moleques correm
e as árvores envergam
ao sabor do vento...
E você deitada aí,
como se nada valesse a pena...
Quanta gente paralítica,
imaginando a felicidade
da frase mágica:
"Levanta-te e anda!"...
E você deitada aí,
sem respeito pelos que sofrem
de verdade...
Tantas pessoas em presídios,
penitentes de suas vidas,
mas sonhando com
a liberdade de ir e vir
e ver manhãs radiosas
e toda a exuberância de Deus,
do belo, em toda parte...
E você deitada aí,
como se já morta estivesse,
sem perceber suas perdas,
com essas pernas bonitas
e vigorosas,
que poderiam levá-la
a muitos caminhos de rosas
e de espinhos...
como só na vida acontece...
Como podes dormir tanto,
com essa tua idade de borboleta,
em uma vida só e curta,
com a eternidade te aguardando,
para milhões de noites,
sem fim?...
E você deitada aí...


De: João Costa Filho



publicado por jpcfilho às 22:18
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