Quarta-feira, 3 de Setembro de 2008

A culpa

 

 

Quero fugir

de dentro de mim

quero sair deste horror

a mim imposto

tenho que carregar

às costas

esta negação

este não aceitar

torturas que me dilaceram

e mutilam

corro para as ruas desertas

para cidades desertas

e escuras

viajo atormentado

nas pinturas de Munch

e nos poemas de Poe

agarro minhas têmporas

e corro, fujo, de mim

para as florestas da noite

ou para alguém

que me abrace forte

que me abrace muito

e me diga suave

 e me prometa suave

preciso de mãos

que me perdoem

não sei

só me perdoem

de minhas ancestrais

culpas.....

 

João Costa Filho

 

 

 


publicado por jpcfilho às 14:42
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16 comentários:
De Maria a 3 de Setembro de 2008 às 21:41
Olá joão, espero que estejas bem.
Todos temos culpa e precisamos de perdão, ser abraçados suavemente, mas forte também.
Como sempre poeta a fuga é a beleza da alma.
Beijinhos e um sorriso.
Maria


De Lu Rosario a 4 de Setembro de 2008 às 03:55
Uma palavra .. seria DESESPERO.

Beijos!
Saudades.


De Pólvora a 5 de Setembro de 2008 às 09:33
Também anseio por fugir, deste sitio onde me puseram ainda que a culpa nesta caso não seja minha porque quando nascemos não podemos imediatamente lutar por nós...e quanto às outras culpas, já magoaram mais agora apenas silêncio, talvez como meio de desculpar as vezes que me deixei levar sabendo que os outros não poderiam ser perfeitos...

bjs


De oriona a 6 de Setembro de 2008 às 03:11
Desta vez, sou eu que perdida a andar nessas estradas, pego suas palavras emprestadas, e como ele um dia disse, “se me adiantaram” e ele adiantou o poema. O mistério da verdade que ainda é oculta, do silêncio que morreu dentro de mim. Da culpa traduzida em dor em frio, em sorrisos desfeitos, em máscaras para enfeitar o dia. Essa desenfreada busca sem encontro...esse terrível desencontro de mim mesma...

Me perdoe a invasão...

Oriona


De oriona a 6 de Setembro de 2008 às 03:13
Com muito respeito, que possas sentir esse forte abraço que te dou neste momento.

Oriona


De Esyath Barret a 6 de Setembro de 2008 às 03:56
JOÃO,

vi versos legítimos e francos! Versos que sinceramente se harmonizam muitas vezes ao meu status quo...
"busco alguém que seja capaz de fazer aquilo que não sou... me perdoar"
Não são versos apenas lindos, são fortes e apaixonados, como um ser humano que ainda tem um lado humano...

Beijos (Des)conexos!


De Lucilene a 7 de Setembro de 2008 às 00:50
Olá encontrei esse cantinho lindo e te ofereço minha amizade e meu award e premio do blog com muito amor e carinho, ficarei super feliz se vc aceitar, espero vc no meu cantinho com muito amor e carinho, um lindo final de semana beijokas em seu coração.
Lu♥


De Jofre de Lima Monteiro Alves a 7 de Setembro de 2008 às 19:18
Em Portugal ninguém tem culpa e esta até é composta de muitas desculpas. Somos o povo que melhor interpretou o pensamento de Cícero que disse um dia: «O melhor alívio é estar isento de culpa». O seu poema é soberbo, como os demais, pois raça de poeta é isto mesmo. Boa semana com tudo de bom.


De Lu Rosario a 7 de Setembro de 2008 às 21:02
Muitos bons momentos.. versos.. prosa..

... vestida para matar? Talvez apenas provocar..rs

Beijos!


De paulovilmar a 9 de Setembro de 2008 às 03:47
João!
Mão de carinho é a melhor desculpa!
Abraços.


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