Sábado, 31 de Dezembro de 2005

Feliz Ano Novo!


'Hope' de Tahdaini Mohamed
                "Hope"  de Tahdaini Mohamed


A missão é ser feliz
nesse Ano Novo,
mas sem muita cautela.
Também sem muita coerência.

As coisas devem fluir,
simplesmente,
e em temperaturas diversas.
O amor deve ter altos e baixos,
alguns destemperos
e muito sexo e juras...
As verdades também
podem alternar com mentiras...
bem ditas.
E muito amor, muito amor
é fundamental.
Não com muito equilíbrio,
pois isso também mata
e quem deve morrer é o desamor.
Para os enfermos, recomendo
amor equilibrado e
em doses homeopáticas...
Com as palavras, tenha cuidado.
Deve tratá-las como se fossem rosas,
porque essas são mortais,
depois de soltas
são sentenças...
Nunca faça ofensas
ou dê mágoas.
Ao seu presidente, pode xingar.
Com certeza, ele merece.
Ao seu chefe, passe
uma descompostura,
se quiser.
Mas, para Ela,
só palavras perfumadas,
com aquele aroma
das matas virgens,
ao amanhecer.
Diga doce e
sinta-se terno
e ofereça-lhe a ternura de um pôr do sol
nas montanhas...
Feliz Ano Novo!

Ah!... ia esquecendo...
Quando ela exigir,
obedeça,
pois vale a pena ser escravo
de quem te sabe
tão bem...


De: João Costa Filho



publicado por jpcfilho às 20:50
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Sexta-feira, 30 de Dezembro de 2005

Sofre


'Tavern' de Andrey Ryabushkin
                                                  "Tavern"  de Andrey Ryabushkin


Tô sofrendo!...
Eu tinha dez merréis,
eu ia ver Maria,
eu ia ver os bichim,
eu ia pegar o ônibus,
eu ia pegar o trem,
se moro muito longe
pego três condução.
Eu ia ver Maria
e os bichim,
eu ia matar a saudade,
mas tinha outra opção
e eu fiz a escolha.
Tomei uma pinga,
tomei outra,
bebi tudo de cachaça,
bebi tudo de ressaca,
bebi tudo de sofrimento,
bebi tudo de saudade
e agora nem sei
quando vou ver
meus bichim
e a Maria.
Ai, qui dor!!!


De: João Costa Filho



publicado por jpcfilho às 21:43
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Quinta-feira, 29 de Dezembro de 2005

Te quero


'Embrace' de Egon Schiele
                                                       "Embrace"  de Egon Schiele


Sim, te quero,
apesar de convencida
e um tanto fantasiosa,
pois te quero, apenas,
todas a manhãs e noites,
desalinhar teus cabelos,
desfilar meus dedos
em tua geografia,
suspirar pela vida inteira,
contigo,
fazendo amor
e rebolando sobre
todas as alcovas do mundo,
sem respirar,
a não ser teu perfume,
e, com sutileza,
contar ao mundo
minha nova realidade
e fundir meus sonhos
com os teus
e, quem sabe?,
ser teu irmão gêmeo
e tu a alma minha...


De: João Costa Filho



publicado por jpcfilho às 21:39
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Quarta-feira, 28 de Dezembro de 2005

Resgate


'The scream' de Edvard Munch
                "The scream" de Edvard Munch


Como vou definir esse sufoco?
Como vou arrancar de minhas entranhas
essa depressão que me faz louco
de sensações tristes, pesadas, estranhas,
essa agonia indefinida?...
Ou completar partes de mim, dispersas
em ansiedades e estresses sem fim?...
Ai de mim, ai de mim...
Tudo a sufocar.
Como remédio, o bar,
que é a pior cura,
pois, aí, os inimigos se multiplicam
num sem fim de loucuras e dor
do vazio do amor,
às desesperanças, sim...
Ai de mim, ai de mim...
Para onde vou,
onde encontrarei bastante amor,
para me resgatar
deste secular encanto
e pranto?...


De: João Costa Filho



publicado por jpcfilho às 21:57
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Terça-feira, 27 de Dezembro de 2005

Quem socorrerá?


'On the bridge' de Vasily Vereshchagin
                                       "On the bridge" de Vasily Vereshchagin


Quem juntará as flores,
depois de pisadas?
Quem derramará uma lágrima
na cova rasa?
Quem apanhará os pedaços
desnudos?
Quem escutará
esse grito no escuro?
Quem descerá do muro?
Quem deixará seu sossego,
num sábado,
para espiar
os versos do viajante?
Quem escutará seus gemidos?
Quem dará abrigo
a essa alma penada?
Quem lhe mostrará
a linha do horizonte
perdido?
Ou lhe dará o ombro
amigo?...
Quem se lembrará
de quanto ele amou
e pensou que era feliz?
Quem arrancará de seu peito
essa tenaz?
Quem será capaz?
Talvez uma só palavra,
para aliviar esse passante,
de jeito errante,
que já não se lembra de muitas coisas
nem de que foi moço um dia
ou de suas estrepolias...
Hoje, apenas
reminiscências...


De: João Costa Filho



publicado por jpcfilho às 22:22
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Segunda-feira, 26 de Dezembro de 2005

Ilógico


'Interlude reduced' de Christina Gestra
                  "Interlude reduced"  de Christina Gestra


Queria escrever um poema,
mas um poema diferente.
Bastante diferente,
para falar de coisas concretas
e abstratas, ao mesmo tempo,
sem ferir a coerência.
Mas um pouco desatinado,
um poema louco,
por querer ser lógico
e sóbrio também,
por mencionar esquisitices.
Mas que desse para descompreender
e também confundir um pouco,
e, assim, eu iria montando algo
parecido com o sentido da vida
e a verdadeira vocação
de nós outros,
os homens...


De: João Costa Filho



publicado por jpcfilho às 21:15
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Domingo, 25 de Dezembro de 2005

Interiores


'The sleep of reason produces monsters' de Francisco de Goya
   "The sleep of reason produces monsters"
                                de Francisco de Goya



Sou uma procissão
de peregrinos do nada,
sem meta, sem Meca,
sem fé.
Caminhamos silenciosos,
tão silenciosos
que dá para ouvir os astros,
nossos (meus) olhos
fitos no abstrato,
vazios e alheios,
sem importar o caminho.
Penso:
tudo será o mesmo?
E ainda assim continuamos,
sem saber a força que empurra
todos os meus
átomos e células... zilhões...
E, para conter os impasses internos,
às vezes intransponíveis,
tento meditar, rezar,
me alhear mais,
mas algo tribal me contém,
por momentos,
e logo estou sem líder,
temo a revolta geral,
amotinamentos mais constantes...
Como controlar este estranho
que em mim habita?
E quando perder a razão
terei encontrado o caminho?


De: João Costa Filho



publicado por jpcfilho às 20:52
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Sábado, 24 de Dezembro de 2005

A quem me visita...


'Natividad' de Palermo Viejo
"Natividad" de Palermo Viejo

'Votos de Boas Festas'



publicado por jpcfilho às 13:55
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Eu e tudo


'The Four Quarters of the Globe' de Peter Paul Rubens
                         "The Four Quarters of the Globe"  de Peter Paul Rubens


Eu sou o centro do Universo,
eu sou o sol, o mar, a lua,
sou as plantas, sou o animal,
sou o sonho de tudo,
sou o ideal,
sou o amor e a dor,
o efêmero e o eterno,
sou o céu e o inferno,
sou todas a cores,
adejos e pássaros voadores.
Sou Adão, sou Eva
e o paraíso,
o nascer e o morrer,
sou o tempo perdido,
sou o patriota, o patriotismo,
os ideais e revoluções,
sou a Paz, sou a Guerra,
moro em cima e em baixo da Terra
e conheço, de conhecer,
todas a Feras.
Sou a construção e a demolição,
no amor, sou melhor que Sutra,
sou o repouso, sou a luta,
vivo em todas as dimensões,
sou Mário, sou Maria, Regina, Terezas e Joões
[tudo que se imagine sou Eu]
das águas, ao fogo de Prometeu,
sou o jogo de azar, sou a vida,
sou a grande emoção preterida
das mãos espalmadas,
os olhos e a mente
a apreciar quem sou
e que sou Eu
e o que mais existir,
do que se possa falar, ver, ouvir,
da injúria, de todos os crimes,
da política e da má fé,
da alegria, a solidão,
sou o mote, o chiste, a canção
que embala toda a poesia e beleza
e toda a desgraça da Terra,
do apocalipse final, ao começo do fim,
tudo emprenhando, rasgando em mim,
sou a pobreza besta e a riqueza frugal,
sou ferro, ouro, sou vegetal,
e tudo que sou, e sou mais,
só sou, por ti...


De: João Costa Filho



publicado por jpcfilho às 13:54
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Sexta-feira, 23 de Dezembro de 2005

O sono é irmão da morte...


'Sleep' de Francisco de Goya
                                                  "Sleep"  de Francisco de Goya


"O chão que pisas
a cada instante te oferece a cova"
(Junqueira Freire)


"Eu cambaleava de sono e a voz da sabedoria me disse:
nunca no sono a rosa da felicidade floriu para ninguém,
por que te entregares a este irmão da morte,
se tens muitos séculos para dormir?"
(Omar Kahian)



Tanta gente querendo viver
E você deitada aí,
como se defunta fosse...
Tanta gente em leito de hospital,
sonhando com ladeiras íngremes
e ruas de sol,
onde moleques correm
e as árvores envergam
ao sabor do vento...
E você deitada aí,
como se nada valesse a pena...
Quanta gente paralítica,
imaginando a felicidade
da frase mágica:
"Levanta-te e anda!"...
E você deitada aí,
sem respeito pelos que sofrem
de verdade...
Tantas pessoas em presídios,
penitentes de suas vidas,
mas sonhando com
a liberdade de ir e vir
e ver manhãs radiosas
e toda a exuberância de Deus,
do belo, em toda parte...
E você deitada aí,
como se já morta estivesse,
sem perceber suas perdas,
com essas pernas bonitas
e vigorosas,
que poderiam levá-la
a muitos caminhos de rosas
e de espinhos...
como só na vida acontece...
Como podes dormir tanto,
com essa tua idade de borboleta,
em uma vida só e curta,
com a eternidade te aguardando,
para milhões de noites,
sem fim?...
E você deitada aí...


De: João Costa Filho



publicado por jpcfilho às 22:23
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