Segunda-feira, 30 de Janeiro de 2006

Eros e Bacchus


'Bacchanalia' de Nicolas Poussin
                                               "Bacchanalia"  de Nicolas Poussin


As forças que habitam Eros
e Bacchus
me empurram
para as desídias
de banquetes chinfrins,
de vinhos e putas
de onde vim.
Lá, onde a luta
é um meio
e o álcool
e a mulher
acontecem
em danadas doideiras,
desvaira, emociona,
transporta
para velozes sufocos,
pois nunca chegamos a lugar algum,
mas ao fim,
de alma sangrenta
dos remorsos de nada
ou fim de tudo...


De: João Costa Filho



publicado por jpcfilho às 22:15
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Domingo, 29 de Janeiro de 2006

Do outro lado da rua


'Waiting by the window' de Carl Vilhelm Holsoe
          "Waiting by the window"  de Carl Vilhelm Holsoe


Do outro lado da rua,
tem um corpo
dependente de ti,
uma alma
irmã da tua,
um sonho igual ao teu.
Do outro lado,
tem um peito aberto,
para te agasalhar
nas noites insones,
de muitos conflitos,
de lágrimas, choros e gritos
e tristezas,
das sombras noturnas
a te tumultuar.
Do outro lado da rua,
mora a saudade,
para matar a saudade,
só por te abraçar.
Lá, também tem gemidos,
noites longas
e todas as afinidades contigo.
Do outro lado,
está a certeza de tua conquista
e a mão amiga
estendida, para te dar,
o ombro amigo, para te ouvir,
o coração, para te falar.
Do outro lado,
mora um sonhador...


De: João Costa Filho



publicado por jpcfilho às 20:35
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Sábado, 28 de Janeiro de 2006

Quem...?


'The enigma' de Gustave Dore
                                                   "The enigma"  de Gustave Doré


Quem ficará
com as portas abertas,
sendo o homem seu vizinho?
Quem fechará um negócio,
sem as devidas assinaturas?
Quem deixará uma quantia
num banco de praça?
Quem casará,
se não houver
um padre, um juiz
e muitas testemunhas?
Quem levará seus filhos
a passear nos parques,
depois de anoitecer?
Quem amará seu próximo
como a si mesmo?
Quem não chamará seu santo
nome em vão?
Quem não venderá o homem,
novamente?
Quem dará de beber
aos leprosos?
Quem juntará alguns
pedaços partidos,
para aliviar alguma dor?
Quem ainda usará
o mapa do caminho?
Quem falará de flores,
sem parecer ridículo?
Quem porá água nas plantas?
Quem abençoará
o amanhã?
E, se abençoar, ele virá?
Quem ainda ouvirá
o som dos ventos,
trazendo boas novas?


De: João Costa Filho



publicado por jpcfilho às 22:17
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Sexta-feira, 27 de Janeiro de 2006

Anjo


'Angel' de Johann Josef Christian
                         "Angel"  de Johann Josef Christian


Anjo,
não deixes
que me acordem.
Deixa-me embalar
em teu colo
e canta canções
de ninar.
Não deixes
acordarem-me.
Zela, somente,
para que fique
uma eternidade
nesta loucura,
que és tu,
tão docemente.
E aqui é
meu lugar...


De: João Costa Filho



publicado por jpcfilho às 22:47
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Quinta-feira, 26 de Janeiro de 2006

O homem manada


'Scene of war and fire' de Gillis Mostaert
                                       "Scene of war and fire"  de Gillis Mostaert


Quando, da vida,
a prece nada diz;
quando, do amor,
nada se fala;
quando, nesse mundo,
pouco fiz;
quanto erro
o mundo cala...
Adiante a justiça!...
Adiante a política!...
Adiante a religião,
a comandar manadas
de místicos,
cuja prece, nada
diz, em si,
quando o amor cala,
quando a esperança
contradiz
o fanático, o pelego...
E o mundo rui...
Adiante a religião!
Adiante a política!
Adiante a justiça
do homem boi...


De: João Costa Filho



publicado por jpcfilho às 20:57
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Quarta-feira, 25 de Janeiro de 2006

Minha natureza


'The extraction of the stone of madness' de Hieronymous Bosch
      "The extraction of the stone of madness"  de Hieronymous Bosch


Mentir, para mim,
não é difícil,
sempre que preciso.
Trair, para mim,
só se necessário
e, geralmente, é.
Como posso ir ao cume,
torturar, se preciso for.
Matar...
Ah! matar!...
Isso é meu cotidiano!
Já matei pela religião,
já matei pela pátria,
já matei pela mãe,
pelo pai, pelo irmão,
mas já roubei a pátria e traí
a mãe e
enganei
meu irmão.
Já matei o pai,
traí a mãe,
envenenei a pátria.
Já traí tudo!...
Dizem que tem um criador
e, se ele aqui vier,
também será abatido,
como já aconteceu...
Faço qualquer coisa,
apenas por fazer
ou por não sei o quê.
Sei que mato,
pelo meu clube,
pelo meu pastor.
Mato o homem que iludi
e pelo homem que me iludiu.
Mato a natureza,
mato o amanhã,
mato o fim de tarde,
mato o fim do mundo,
e não quero saber
como vai ficar,
se tudo já é escuridão...
E nem quero pensar
por que sou... o quê?...
Pois não penso,
logo não existo...


De: João Costa Filho



publicado por jpcfilho às 21:50
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Terça-feira, 24 de Janeiro de 2006

Eldorado e morte


'An allegory of the vanities of human life' de Harmen Steenwyck
                  "An allegory of the vanities of human life"  de Harmen Steenwyck


Faz parte
das almas solenes,
no dia a dia,
de rostos perplexos,
crispados,
vislumbrarem
outra coisa,
além da agonia
individual
de permear anseios
e devaneios
na procura de metáforas,
para renascer
de si mesmo
e encontrar a paz
- eldorado dos simples
e morte dos incautos...


De: João Costa Filho



publicado por jpcfilho às 22:12
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Segunda-feira, 23 de Janeiro de 2006

Velho (pai)


'Allegory of age' de Abraham Bloemaert
                                     "Allegory of age"  de Abraham Bloemaert


Velho,
já me chamam de Velho,
mas é assim a rotativa.
É, Velho!
Outros Velhos virão,
como você,
como os filhos e gerações.
Mas, Velho,
nessas passagens, me perdoa,
porque ninguém te eterniza.
És apenas um segmento,
um elemento sem imortalidade.
Mas, Velho, irmão e amigo,
tudo o que sinto por ti
é veneração.
Queria te provar,
não com o ombro amigo,
mas com as conquistas
que me imaginaste,
mas, Velho,
antes do final,
meu e teu,
quero estar contigo
e, num abraço grande
e amigo,
olhar nos teus olhos
e dizer-te coisas esquecidas...


De: João Costa Filho



publicado por jpcfilho às 21:54
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Domingo, 22 de Janeiro de 2006

Nós, os homens


'The Valley of Tears' de Gustave Doré
                                            "The Valley of Tears"  de Gustave Doré


E o homem
rezará todos os dias
e, depois,
apedrejará seus cadáveres,
num comportamento
de homem.
Tiram-se as vestes,
transparece-nos o cerne
e ainda não descobrimos
o fogo ou Deus.
Só a bomba!
E, de bíblica profecia,
o homem atira pedras
em si mesmo,
todo o dia,
toda a noite,
senão por Deus,
pela pátria, ideal,
ouro.
Pela verdade?...
Cospem-se holocaustos,
mijam-se genocídios.
Pela fé?...
E haja inspiração!...
Vamos jogando pedras,
para matar os mortos
e crucificar os vivos.


De: João Costa Filho



publicado por jpcfilho às 22:14
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Sábado, 21 de Janeiro de 2006

Quimeras


'Air castles' de Maxfield Parrish
                "Air castles"  de Maxfield Parrish


Sou a esperança em mim,
a recriação de meus anseios,
a metáfora de meus sonhos,
o querer do inconcebível,
para realizações tardias,
quiméricas...
Sou a vontade de ser feliz,
a carência de ter não sei o quê
e dar-me uma nova imagem
e sonhar sonhos,
humanos e simples,
porém realizáveis.
E, assim, me ajustar,
no dia a dia,
para subjetivos embates,
já antevistos,
e lutar minha luta,
para conquistas no porvir.
E, então, vencê-las
e, finalmente, sorrir.


De: João Costa Filho



publicado por jpcfilho às 19:52
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