Terça-feira, 31 de Outubro de 2006

Minha Deusa


'La sieste' de Delphin Enjolras
                                                “La sieste”  de Delphin Enjolras


Sempre que reflito
em minhas transformações,
odeio-me,
odeio-te, profundamente,
odeio tudo,
pelas humilhações
a mim impostas
pelos teus descasos...
Enfim,
por me tratares como um nada,
como um lixo qualquer.
Tens-me pisado
e ofendido de todas as formas,
fazendo de mim
um sub-homem.
Eu, que fui respeitável,
circunspeto,
em minhas decisões
e no trato humano,
tornei-me um nada
de pouca valia.
Depois de atravessar
a porta de teu quarto,
sinto o chão de tua cama
oferecer-me o paraíso,
mas, quando
começas a desnudar-te
e a mostrar, com despudorada malícia,
as nuances de tuas ancas,
de teus seios e sexo,
intumescidos de luxúria
e de pecado e lascívia,
torno-me teu escravo,
escravo do desejo mais cruel.
Transfiguro-me, sem nenhum pudor,
afundo-me no centro de ti,
atiro-me às chamas dantescas
de tuas entranhas.
Depois, ajoelho e rezo,
como se fosses minha
Deusa...


De: João Costa Filho



publicado por jpcfilho às 20:31
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Segunda-feira, 30 de Outubro de 2006

Só uma alma


'La belle Dame sans merci' de Sir Frank Dicksee
                                     “La belle Dame sans merci”  de Sir Frank Dicksee


Ah!... Como está doendo
uma ferida aberta,
mais do que o tempo,
às dúvidas que me impuseste,
com teu comportamento
leviano,
pois se, já de tempos,
fizeste-me juras,
promessas utópicas
e, agora, dispensas
tudo o que dizias
com palavras,
promessas e fantasias
de tais prestezas,
que me acomodava
às sutilezas
partidas.
E, assim, está doendo
a dor do tempo
perdido,
hoje, dia a dia,
a fragmentar este homem,
enquanto outra alma ri,
que sofrer
é o extremo
de uma das almas:
A minha...


De: João Costa Filho




publicado por jpcfilho às 21:18
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Domingo, 29 de Outubro de 2006

És tudo



                                                  “Reclining Beauty”  de Hans Zatzka


O teu olhar
é tão encantado
e moleque...
O teu corpo é tão,
profanamente, devasso...
O teu sorriso
de convites de amanhãs...
Nos teus requebros,
a reverberação...
Tanto encantamento,
que me assusto!
Por isso,
quero te tocar,
levemente,
como uma brisa
a passear em tua
geografia de
lagos, montes, cordilheiras,
rios, atalhos
e desnudar teus seios
de todas as manhãs
e beijar teus lábios
de maçã, de vida...
Inaugurar-te “forever”
e todos os dias
e noites
serão estréias
de mim,
de ti...
Sempre começando,
estarei aos teus pés,
em uma oração sem fim.
Tu és tudo! Amém...


De: João Costa Filho




publicado por jpcfilho às 22:50
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Sexta-feira, 27 de Outubro de 2006

Minhas utopias


'The Tower of Babel' de Pieter Bruegel, the Elder
                                         “The Tower of Babel” de Pieter Bruegel, the Elder


Entretido em minhas utopias,
falta-me espaço real,
para tocar um viver simples.
Há muito, me alimento
do lúdico, do fantástico
em aventuras românticas
e contos mirabolantes
das doces histórias.
Sou viciado nessas viagens
e eterno passageiro
de vôos incríveis.
E, quando de volta
à minha caverna, aqui,
a realidade não é menos
prodigiosa ou estonteante,
pois que, na selva de pedra,
habitat de estranhos bichos,
há bichos homens,
muito mais perigosos
e traiçoeiros
do que os, lá, enfrentados
e com alguns recursos terríveis,
como a fala,
que nos faz uma Babel.
A vaidade que nos corrompe,
as eternas rivalidades
por qualquer taça de areia
e todos os apetrechos
para a autodestruição
de guerras sem fim.
Necessito de voltar
ao mundo do faz de conta
e esquecer este (i)mundo
faz de conta...


De: João Costa Filho



publicado por jpcfilho às 22:02
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Quinta-feira, 26 de Outubro de 2006

Estás em tudo



                                                  “A water idyll”  de Hans Zatzka


Em cada nuvem, estás...
Em cada árvore, estás...
Nas estrelas,
nas ondas do mar
e a passear nos rios.
És a representação
de tudo:
do que se move
e do inerte.
És o passarinho que canta,
com as asas espalmadas,
a alma que alevanta
os versos,
os reversos.
És a primeira manhã.
És todas as manhãs.
Nada é concebível,
sem tua presença,
sem tua voz,
sem
o desenho incrível
que és,
que me sufoca...
Irresistível brasa,
em mim,
gravada em mim...


De: João Costa Filho




publicado por jpcfilho às 21:22
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Quarta-feira, 25 de Outubro de 2006

Tu e o infinito


'Enchantment' de Maxfield Parrish
                “Enchantment”  de Maxfield Parrish


Por que me olhaste, 
se eras
uma estrela distante?
Por que sorriste,
se, para mim, cósmica,
inalcançável?
Por que me tomaste,
como numa invasão bárbara,
impensável?
Estás aqui a toda a hora.
Antes, apenas uma ilusão.
Agora, olhaste e sorriste,
és promessa,
vinte quatro horas.
Toda a vida,
a aguardar a estrela guia
e, como astro,
a seguir-te em outras dimensões,
até à aurora boreal.
É só o que importa.
O resto é o infinito...


De: João Costa Filho




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Terça-feira, 24 de Outubro de 2006

Tambores


'Courtship - The proposal' de Sir Lawrence Alma-Tadema
        “Courtship - The proposal”  de Sir Lawrence Alma-Tadema


Podem rufar os tambores
e as comadres gritarem
minhas desditas.
Podem apedrejar-me em
praça pública
e dispor meu corpo na cruz
e crucificar-me
por todos os pecados.
Sofro todas as penas,
mas meu inferno
não será só meu.
Vou ao pregão
fazer meu lance:
30 moedas por um amor,
qualquer amor...
Em qualquer moeda,
pagarei o de direito.
Tanto faz!
E, se for pouco o meu dinheiro,
levem também minha alma,
que não me tem
a menor serventia.
De que serve uma alma
sem amor?...
Todos os meus tesouros
por um grande amor
e, depois,
que venha a morte,
que eu irei ao inferno,
sorrindo...


De: João Costa Filho




publicado por jpcfilho às 22:51
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Segunda-feira, 23 de Outubro de 2006

Rimas de amor


'Cupid and Psyche' de Francois Gerard
         "Cupid and Psyche"  de François Gérard


Sei rimar
amor com dor,
flor com amor
e outras variantes,
mas vou fugir
às rimas e métricas
e te pedir,
sem nenhum pudor:
Não percamos tempo.
Vamos fazer amor...


De: João Costa Filho



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Domingo, 22 de Outubro de 2006

Teus caminhos


'Vertigo - Magic staircase' de Leon Spilliaert
          “Vertigo - Magic staircase” de Leon Spilliaert


Tudo tem de caber
em tuas propostas.
Não podes ser
nem além, nem aquém.
Tens de compor,
exatamente, em tuas propostas.
Se houver sobra
ou se te faltar,
estarás fugindo de ti,
de tua liberdade.
Todos os caminhos levam a Roma.
Os outros todos
levam-te a ti
e disso não podes fugir.
Além, nada existe.
És o centro
e a convergência
de todos os teus caminhos...


De: João Costa Filho



publicado por jpcfilho às 21:30
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Sábado, 21 de Outubro de 2006

Buraco negro


'From Darkness to Light' de Jean Delville
“From Darkness to Light” de Jean Delville


Sou o fruto maior
do pecado
original?...
Sou a luxúria,
a lascívia, a líbido:
redivivas, reverberando.
Sou todos os vulcões,
terremotos, maremotos,
tsunamis,
que liquidificam meu sangue,
pulsando e explodindo,
implodindo,
em meus pulsos.
Me perco, me perdi,
em ti.
O que sinto é uma mensagem
divina?...
Infernal?...
Não sei.
Não quero saber.
Se cego, mudo, surdo,
fanático,
só rezo por ti...
És a plataforma suave
de meu corpo.
Catapultas
minhas incoerências
para o vazio
cósmico, de onde vim.
Sem ti,
não sou nada.
És o buraco negro,
o início ou o meio,
enfim...


De: João Costa Filho



publicado por jpcfilho às 21:14
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