Quarta-feira, 28 de Fevereiro de 2007

Rodamundo


'Promise of a new day' de Keith Harris
                                             "Promise of a new day"  de Keith Harris


Dizem que o mundo roda!
Se é assim,
vou sentar-me debaixo
daquela árvore,
e esperar você passar por mim,
para que eu possa falar
do que sinto,
do meu lamento.
Esperarei, não duvide!
Pois minha paciência
é minha espada
e você minha esperança,
por isso, esperarei
e lutarei,
não importa com quantos,
ou por quanto tempo,
sempre estarei debaixo daquela árvore.
As intempéries também não contam,
porque resistirei estoicamente
com minha espada, minha paciência
e minha fé.
Enquanto o mundo roda,
estarei em vigília,
mas debaixo daquela árvore,
para que você
saiba meu endereço.
É debaixo daquela árvore.
É lá que eu estarei sentado
com minha espada,
minha paciência
e minha paixão.
Por isso, espero que,
ao passar por ali,
não me decepcione
nem à árvore
que já será íntima
e chorará minhas lágrimas,
se você passar
e nem me olhar.
Não sei quando vai acontecer!
Mas estarei debaixo daquela árvore,
chova, ou faça sol,
sempre
te esperando.


De João Costa Filho



publicado por jpcfilho às 21:33
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Terça-feira, 27 de Fevereiro de 2007

Dúvidas


'Destiny' de Jacek Malczewski
                                                      "Destiny"  de Jacek Malczewski


Carregamos, da vida, as dúvidas
do que traz,
do que leva,
do quem trouxe,
aonde, quem vai levar...
Da esfinge, o seu enigma, quem decifrará?
Do sentido da vida, o mistério,
quem desvendará?
A ciência, a matemática ou o acaso?
As metáforas e o maniqueísmo:
do bem e do mal,
do feio e do bonito,
do certo e do errado...
A certeza, a vera certeza
já não põe mesa,
porque tudo é relativo. Tudo!...
Inclusive, a morte.
Então, meu irmão,
para que tanta frescura,
se, ao dormires, estás morrendo
um pouco,
se a mão que afaga
é a mesma que apedreja?
Se do mundo nada se leva,
para que tanta empáfia,
se não sabes nem
o que te espera
daqui a um minuto
e em pouco tempo
tudo vira barro?...


De: João Costa Filho



publicado por jpcfilho às 21:47
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Segunda-feira, 26 de Fevereiro de 2007

Expectativa


'The last throw' de Charles Robert Leslie
                                            “The last throw” de Charles Robert Leslie


Um cubo.
Seis sortes
atiradas.
Uma dirá
o que cabe
ao sonhador.


De: João Costa Filho




publicado por jpcfilho às 22:10
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Domingo, 25 de Fevereiro de 2007

Montanha russa


'The lament' de Sir Edward Burne-Jones
                                              “The lament” de Sir Edward Burne-Jones


Como um cravo
pregado no peito,
és minha eternidade.
Ontem, hoje, sempre,
estás, aqui, pregada
na alma.
O perfume,
corpo, silhueta, o ar
denso de ti,
o vórtice em mim,
explodindo, além
de meu controle.
Momentos... Momentos
inesquecíveis,
de complementos de amor,
de bonança e da tempestade
da esperança.
Intermitente,
és a saudade, a tristeza,
o sol, a alegria,
a melancolia,
minha pulsão,
meu navegar, em correntes
e marés tão distintas...
Montanha russa,
já não sei viver
sem tantas emoções...


De: João Costa Filho



publicado por jpcfilho às 22:04
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Sábado, 24 de Fevereiro de 2007

Minha ignorância


'Philosopher in meditation' de Rembrandt van Rijn
                                  “Philosopher in meditation” de Rembrandt van Rijn


O nunca chegou.
O amanhã, nunca.
Minhas esperanças
foram abandonadas
no frontispício do inferno,
onde meu epitáfio
já estava escrito...
Carrego as incertezas
de minha identidade
e as dúvidas de quem sou
e para onde vou.
Qual a missão?
E as incertezas?
Com tantas certezas,
com certeza, se perderam
em elucidações misteriosas...
Não sou um pessimista.
Apenas, o que vejo, escuto,
vivo, convivo
sufoca as expectativas...
E vou, como vim,
para o inelutável fim,
ignorante...
Para onde foram os ensinamentos
ou onde ficaram guardados?
Nos “Livros Sagrados”?
Em Alexandria?
Os grandes filósofos
o que disseram?
Que nada sabem?...
Não me falem mais de sábios,
não me falem em escuridão
da morte.
Já vivo em escuridão de vida,
com dúvidas tão atrozes
que nenhuma genialidade
resgata...


De: João Costa Filho



publicado por jpcfilho às 20:38
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Sexta-feira, 23 de Fevereiro de 2007

Mente-me


'The lovers' de William Powell Frith
                         “The lovers”  de William Powell Frith


Às vezes, dizes
que me amas
e sinto uma imensa falta.
Mesmo sabendo
que não falas sério,
sinto falta.
Se não é possível
amares-me,
mente um pouco
ou muito
e muitas vezes,
pois me deleito,
mesmo sabendo
ser amor incompleto.
Assim mesmo, sinto carinho
e teu carinho
sempre é bom.
Vai, mente muitas vezes
e, quem sabe, nas repetições,
já nem saibas que,
de fato, me amas,
pois sinto em teus beijos
um fingimento tão
incrível,
nos teus abraços
mentiras tão quentes,
em teus olhos
qualquer cumplicidade
que tenho minhas dúvidas
se, de fato, não me amas
à vero.
Pelo menos, é isso
que espero:
que continues mentindo,
todos os dias
e noites.
Beijos...


De: João Costa Filho



publicado por jpcfilho às 21:38
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Quinta-feira, 22 de Fevereiro de 2007

Pecados


'Sin pursued by death' de John Henry Fuseli
                    “Sin pursued by death”  de John Henry Fuseli


Forjado no pecado,
na caldeira quente
do pecado,
sou, originalmente,
um pecador
que traz, tatuada
nas entranhas,
a transgressão.
Comecei indisciplinado.
Vim ao mundo
por conta de erros
atávicos,
contrariando mil igrejas
e milhões de santos.
Se fui feito
com ardor e luxúria,
muita nudez
do corpo, de corpos,
muita lascívia,
muito amor e muito sexo,
graças...


De: João Costa Filho



publicado por jpcfilho às 22:16
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Quarta-feira, 21 de Fevereiro de 2007

Sentido da vida


'Landscape with mythological figures' de Moses van Uyttenbroeck
                     “Landscape with mythological figures”  de Moses van Uyttenbroeck


Tenho algumas catedrais
cheias de colunatas
e enormes ciclopes,
vigiando a última torre
esquecida nas montanhas
de Aldebarã.
Trago comigo alguns enigmas,
entre os olhos de doze esfinges.
Caminho nos labirintos
à procura de concepções,
referências e sentidos...
Carrego o globo,
estoicamente,
através de muitas galáxias,
para livrar-me dos queixumes.
Vou abrir a caixa de Pandora
e soltar todos os demônios
amordaçados em nós.
Das muitas batalhas que atravessei,
guerras sem fim,
por mais de 5 mil anos,
vi o homem derramando
o sangue do homem, sobre a terra fria.
Sempre assisti a carnificinas
e sempre ouvi juras de amor
e novas carnificinas.
Os quatros cavaleiros do apocalipse
moram no centro do homem
e o amor mora no centro do homem:
homem guerra, homem sangue,
exangue,
homem quimera.
Conheci Hidra e Cérbero,
Ninfas e Sátiros
e encontrei o sentido da vida
na hora derradeira...


De: João Costa Filho



publicado por jpcfilho às 22:30
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Domingo, 18 de Fevereiro de 2007

A devota


'Harlequin' de Clarence K Chatterton
                                            "Harlequin"  de Clarence K. Chatterton


E a devota, na janela,
viu a banda passar
e, toda bela,
viu o Pierrot, a Colombina,
o Arlequim.
Viu o pecado e o alegre
inferno, em folias
pagãs,
todos condenados
pelas escrituras...
Mas os olhos do Arlequim
disseram-lhe coisas
profundas, que sabiam
a alma e a corpo.
Mais a corpo...
E, a toda aquela
endiabrada folia,
não resistiu
e caiu no carnaval,
inteira.
Cantou, pulou, gritou,
beijou, amou.
E amou mais e muito.
Quatro dias, sem parar...
Enlouqueceu de amor
e de alegria, até às cinzas...
Hoje, ela abdica das rezas
e diz que rezará, cantando e pulando
e amando seu Arlequim...
E que, de seu pastor,
tem pena,
se nem sabe que o inferno
é dele...


De: João Costa Filho



publicado por jpcfilho às 20:59
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Sábado, 17 de Fevereiro de 2007

Esquecimento


'The isle of the dead' de Arnold Böcklin
                                            “The isle of the dead”  de Arnold Böcklin


Um irracional medo
assusta o homem,
desde o começo dos tempos.
A natural predisposição
gregária
nos mantém mais fortes,
menos vulneráveis.
Caminhar em grupos
ou em par
é a subsistência humana
a amparar as nossas neuras.
Coexistindo, amando, jurando,
comprando, vendendo,
associando-nos,
construímos Babilônias,
Muralhas, as sete mil maravilhas
e o amor
que nos fala de multiplicar.
Mas, um dia,
irremediavelmente,
nos descobrimos sós,
em alguma ilha do Universo.
E, aí, solitariamente,
carregamos às costas
ou no fundo de nossos baús
muitos planos
e projetos
de toda uma vida,
relegados ao nada
ou ao esquecimento...


De: João Costa Filho



publicado por jpcfilho às 22:11
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