Domingo, 29 de Abril de 2007

Simbioses


'Love´s passing' de Evelyn de Morgan
                                  “Love's passing”  de Evelyn de Morgan


Na vida,
tudo é tão efêmero.
Passa a dor,
nasce o amor,
morre a flor,
nasce a dor,
morre o amor,
passa a flor...
Ela passa, tudo passa
em simbioses
de fauna, flora e poluição...
E, nisso, os momentos
poderiam perpetuar-se,
se fossem
nossos momentos...


De: João Costa Filho



publicado por jpcfilho às 21:55
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Sábado, 28 de Abril de 2007

Muitas noites...


'The reverie' de Sir Frank Dicksee
                                     “The reverie”  de Sir Frank Dicksee


Já eram muitas noites
e ele continuava, ali, parado,
pensando em tempos sem glória,
sem metas, sem fé.
Nada construiu ou possuiu.
Nunca teve amigos,
parentes ou um amor.
Vida insípida, essa,
para se viver!...
De anseios contraditórios,
pensava grande,
filosofava profundamente,
teorizava o futuro
de uma grande paixão.
Tanta quanto seus sonhos
desvairados suportassem.
E ousara dizer à Tereza
de seu projeto de amor.
Ela riu e riu um bocado...
E ele ainda estava, ali, parado,
petrificado em tempos perdidos
de coisas inexistentes.
Que vida, essa,
que nem dá gosto!...
Parado, ali, pensava.
Lembrar-se-ia, dele,
a Tereza
ou ainda estaria rindo?...


De: João Costa Filho



publicado por jpcfilho às 21:04
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Quinta-feira, 26 de Abril de 2007

Resgate


'The scream' de Edvard Munch
                   "The scream" de Edvard Munch


Como vou definir esse sufoco?
Como vou arrancar de minhas entranhas
essa depressão que me faz louco
de sensações tristes, pesadas, estranhas,
essa agonia indefinida?...
Ou completar partes de mim, dispersas
em ansiedades e estresses sem fim?...
Ai de mim, ai de mim...
Tudo a sufocar.
Como remédio, o bar,
que é a pior cura,
pois, aí, os inimigos se multiplicam
num sem fim de loucuras e dor
do vazio do amor,
às desesperanças, sim...
Ai de mim, ai de mim...
Para onde vou,
onde encontrarei bastante amor,
para me resgatar
deste secular encanto
e pranto?...


De: João Costa Filho



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Quarta-feira, 25 de Abril de 2007

A busca


'Adam et Eve' de Francis Picabia
          "Adam et Eve"  de Francis Picabia


A busca eterna
da pedra filosofal,
do excalibur...
A ânsia de revelar,
de tirar a venda
e de, finalmente,
conhecer o amor,
de encontrar
a arca sagrada,
de abrir
a caixa de Pandora,
de desvendar a esfinge,
transpor obstáculos,
criar expectativas,
incertezas
e todas as dificuldades
não importam.
Também não importam
os espinhos,
a saudade,
as chagas.
Queremos
nos aventurar
na missão
do Homem
de amar
e continuar
a procura,
de amor em amor,
de dor em dor,
incessantemente
e sempre...


De: João Costa Filho



publicado por jpcfilho às 21:39
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Terça-feira, 24 de Abril de 2007

O rosto de Ana


'Head of a woman' de Jean Delville
             “Head of a woman”  de Jean Delville


Na mente, um rosto
posto sem recordação,
em geometria
exata
de tua dimensão
e, depois,
de espera em espera,
de vão em vão,
num átimo, a quimera
surgindo da multidão,
aconteceu...
E, então,
estás aí,
na transparência correta
de um sonho.


De: João Costa Filho




publicado por jpcfilho às 21:55
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Segunda-feira, 23 de Abril de 2007

Tenho dito!


'Comedy and Tragedy' de Eric Kamp
                                            “Comedy and Tragedy”  de Eric Kamp


Já abusei das frases
de efeito,
já cansei as metáforas
e palavras rebuscadas,
fingi conhecimentos
com iluminados discursos,
disse palavras de mel,
usei o amor e a dor,
e os desvalidos,
e os solitários,
e minha solidão,
e todos os artifícios,
e cópias, e remendos,
e me isento plagiário,
quando plagio.
Para fazer apenas
um pequeno verso,
tudo tenho feito:
falar do que sinto,
da agonia de estar só,
de não reconhecer
na multidão
minha redenção.
E vou fingindo ser
o que não sou,
dizendo que nada sei
e fugindo das interrogações
ou questionamentos.
E, por covardia, me ausento
e me perco,
quando me encontro.


De: João Costa Filho



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Domingo, 22 de Abril de 2007

Com amor


'Endless love' de Alfred Gockel
                                “Endless love”  de Alfred Gockel


Quero amar
e ser amado,
de preferência, uma vez.
Senão,
que eu ame
muitas vezes
e sofra outras tantas,
sem nenhuma infinitude,
mas dando e recebendo
sempre.
Se necessário,
tantas quantas
for meu limite
de amar,
se é que tenho
essas fronteiras...
Sem amor,
tudo é incoerente.
Esse “chip” em mim grudado
é meu norte...


De: João Costa Filho



publicado por jpcfilho às 22:12
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Sábado, 21 de Abril de 2007

Como te vejo


'The artist´s dream'_John Anster Fitzgerald
                                       "The artist's dream"  de John Anster Fitzgerald


Vejo-te sabendo as ondas
do um mar enjaulado.
Vejo-te furando a rocha
até ao conteúdo.
Vejo-te fazendo tranças
no arco-íris,
como uma Penélope
de esperar,
ou embalando o Pequeno Príncipe
e sua rosa cativa.
Vejo-te, como nos sonhos,
a completar tarefas
sonâmbulas,
de onde estou.
Vejo-te calma, serena,
como se estivéssemos,
há muitos anos,
conversando futilidades.
Vejo-te, enfim, além sonho,
em qualquer jardim,
a tocar-te os dedos
e a dizer-te aos olhos
coisas inesquecíveis...


De: João Costa Filho



publicado por jpcfilho às 21:15
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Sexta-feira, 20 de Abril de 2007

Espaço


'Life's questions' de Paul Gauguin
                                               "Life's questions"  de Paul Gauguin"


Quando poderemos entender
das vicissitudes da vida,
do espaço que nos espera,
de ontem,
de hoje,
em repetidas eras
e insuspeitos futuros?...
Na frente, um muro
a conter questionamentos.
E, assim, estamos ao relento
de nossas curiosidades,
de perspectivas do saber
e da Pedra Filosofal.
O que poderá conter
a caixa de Pandora?...


De: João Costa Filho



publicado por jpcfilho às 21:42
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Quinta-feira, 19 de Abril de 2007

Versos de luz


'Flowers' de Joseph Stella
                                         “Flowers”  de Joseph Stella


Sempre vou escrevendo
uns versos bobos, líricos
e alguns com pretensões
melodramáticas.
Vou tecendo fantasias
águas-doces e dizendo
de amor, de dores comuns
e outras irrelevâncias.
Falo de mel e de fel
e contrapontos,
sem precisão poética
necessária à erudição
dos que escrevem, de fato,
os versos eternos.
Atenho-me a esse mundo
concentrado em sentimentos
simples, corriqueiros,
mas, por isso mesmo,
parte intrínseca do todo,
do principal,
da mola que move
o Homem, na sua melhor parte:
a reprodução da vida, do verbo.
A preservação
desse espécime
que, tirante o amor,
só produz ignomínias
ridículas,
lendas de dor e de cruzes,
de guerras, ódios, genocídios,
traições, corrupções,
destruições em geral,
sendo a traição e todos
os outros crimes
parte precisa
desse nosso dia a dia
de “homens de bem”,
que já estão devidamente
representados nos Livros Sagrados.
Então, sigo com meus folhetins
de muita natureza,
de muitos amores,
muitas flores,
muitos meninos e meninas
que fazem versos de luz...


De: João Costa Filho



publicado por jpcfilho às 23:28
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