Quarta-feira, 30 de Maio de 2007

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'The end of the quest' de Sir Frank Dicksee
                       “The end of the quest”  de Sir Frank Dicksee


Tenho de beber,
na escuridão,
minha taça de dor.
Tenho de fruir da luz
meu tempo de vida.
Tenho de permanecer
no espaço
de minha geometria.
E tenho todo o amor
do mundo,
mesmo sem o possuir.
Mas, se o amor
está em mim,
hei de encontrar
com quem
compartilhá-lo...


De: João Costa Filho



publicado por jpcfilho às 21:52
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Terça-feira, 29 de Maio de 2007

Meus quinze minutos


'L' inspiration du Poète' de Nicolas Poussin
                            “L' inspiration du Poète”  de Nicolas Poussin


Preciso de escrever
uns versos
que falem de verdades
que não me pertencem,
que toquem as criaturas
de qualquer maneira,
seja como sopro do vento
ou o calor do fogo,
a leveza das flores...
Qualquer coisa!
Uma palavra, assim,
bem dita,
que enterneça
e faça de mim um poeta,
mesmo que
por quinze minutos.
Quero dizer, enfim,
que sinto tudo
de amor, de sofrimentos
de tristezas,
mas, também, de grandes
momentos: de paixão,
de união, de palavras de mel
e de me derreter,
em momentos desconexos,
até por não me exprimir bem,
como os verdadeiros
fazedores de versos...
Necessito de dizer tudo isso,
com palavras bonitas.
Que o amor vale tudo,
vale a vida,
vale o risco,
até porque seu nome
é amor...


De: João Costa Filho




publicado por jpcfilho às 21:34
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Segunda-feira, 28 de Maio de 2007

Minhas utopias


'The Tower of Babel' de Pieter Bruegel, the Elder
                                         “The Tower of Babel” de Pieter Bruegel, the Elder


Entretido em minhas utopias,
falta-me espaço real,
para tocar um viver simples.
Há muito, me alimento
do lúdico, do fantástico
em aventuras românticas
e contos mirabolantes
das doces histórias.
Sou viciado nessas viagens
e eterno passageiro
de vôos incríveis.
E, quando de volta
à minha caverna, aqui,
a realidade não é menos
prodigiosa ou estonteante,
pois que, na selva de pedra,
habitat de estranhos bichos,
há bichos homens,
muito mais perigosos
e traiçoeiros
do que os, lá, enfrentados
e com alguns recursos terríveis,
como a fala,
que nos faz uma Babel.
A vaidade que nos corrompe,
as eternas rivalidades
por qualquer taça de areia
e todos os apetrechos
para a autodestruição
de guerras sem fim.
Necessito de voltar
ao mundo do faz de conta
e esquecer este (i)mundo
faz de conta...


De: João Costa Filho



publicado por jpcfilho às 22:01
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Domingo, 27 de Maio de 2007

Versos para Letícia


    'The lover´s world' de Eleanor Fortescue-Brickdale
“The lover's world”  de Eleanor Fortescue-Brickdale


Faço um verso,
faço dois versos, três, muitos...
Invento lágrimas, canções,
vou fingindo flores,
tecendo solidão.
Letícia, Letícia,
já foste tantos versos...


De: João Costa Filho




publicado por jpcfilho às 22:15
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Sábado, 26 de Maio de 2007

Guerreiros malditos


'War' de Arnold Böcklin
                            “War”  de Arnold Böcklin


Sôfrego, espalhei meu sêmen
sobre a terra
e, em trezentas canções,
fiz trezentos guerreiros malditos
que, aos quatro cantos,
falaram de escuridão.
Apocalípticos, rugem
em campos, camas e solidões,
para, depois, voltarem à terra
cansados de guerra,
famintos de amor
e perplexos...


De: João Costa Filho




publicado por jpcfilho às 20:56
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Sexta-feira, 25 de Maio de 2007

Sensações

'Democritus in meditation' de Salvator Rosa
         “Democritus in meditation”  de Salvator Rosa


Em uma hora dessas,
partirei
com a sensação de total
incompletude.
E sinto o vazio enorme
do que não sei,
do que deixei de saber,
do que nunca saberei...
Nunca decifrei nenhum
enigma ou mistério...
Não entendi o meu irmão
e nem me fiz entender,
e, aí, não me entendi...
Não compreendi nenhum
livro sagrado,
nunca bebi na fonte
de nenhum saber,
nunca percebi o sentido
das coisas ou da vida.
Minhas interpretações
nunca foram corretas...
Nunca fiz nada
especificamente correto.
Nada sei nem vou saber.
Irei como cheguei.
Nada aprendi ou apreendi,
nunca fui herói, nem santo.
Também não os reconheci.
Não tenho crença,
não acredito em mim
ou em nada...
Nunca escrevi um belo poema
ou elaborei exegeses.
Nunca tive um grande amor
nem fui convergência de paixões
quaisquer...
Sou só, solitário e casmurro,
e tenho a sensação
de que nunca estive aqui
e que já vou tarde...


De: João Costa Filho



publicado por jpcfilho às 22:13
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Quinta-feira, 24 de Maio de 2007

Projeções


'Outpost in a far future far away' de Michael Böhme
                              "Outpost in a far future far away"  de Michael Böhme


Entre o céu e o inferno,
uma emoção.
Entre o mar e a terra,
uma dor.
Entre o rio e o fogo,
meu coração.
Entre a alegria e a saudade,
um amor.
Entre a vida e a morte,
uma paixão,
seguindo, seguindo,
sem eira nem beira,
se história ou ficção.
Tudo incerto
para prospecções
de mim e de ti,
quando nos
conhecermos...


De: João Costa Filho



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Quarta-feira, 23 de Maio de 2007

Por uma rosa


'Alone' de Heleen Vriesendorp
                                “Alone”  de Heleen Vriesendorp


E a rosa morava
num abismo.
Para colhê-la,
havia muitos riscos.
Riscos de nunca mais,
por perdê-la,
tocá-la.
Era a escolha
sem alternativas.
A única escolha
e todas as possibilidades
consumidas...
E, por isso, me perdi,
atirando-me nos vidros
do orvalho...
Foi a última vez,
aquela manhã,
em que morri
por uma rosa...


De: João Costa Filho



publicado por jpcfilho às 21:47
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Terça-feira, 22 de Maio de 2007

Num dia assim


'Gust of wind' de Lucien Levy-Dhurmer
                                             “Gust of wind”  de Lucien Levy-Dhurmer


Foi num dia assim.
Chegou, olhou, sorriu,
fez trejeitos,
dançou, cantou, pulou,
como se fosse daqui
e como se tudo fosse seu.
Tomou posse, refestelou-se,
ficou dona do lugar,
se lambuzou.
Depois, chorou, amou, jurou,
viveu, viveram, vivemos,
invadiu, batalhou, guerreou,
sujeitou, sujeitaram-se...
E se mostrou.
Gritou, agrediu, bateu,
gemeu, chorou,
chorámos, choraram,
amou, jurou, prometeu,
traiu, rompeu, doeu,
pulsou, pulsaram,
sentimos...
Noutro dia assim,
foi, sumiu, escafedeu-se,
sem um adeus...


De: João Costa Filho



publicado por jpcfilho às 22:02
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Domingo, 20 de Maio de 2007

Novo dia


'Impression - Soleil levant' de Claude Monet
                                     "Impression - Soleil levant"  de Claude Monet


Há de chegar novo dia
e sempre teremos
mais uma chance
de recrudescer
do nada
e, com nova esperança, acordar.
Então, haveremos de recomeçar,
com novo vigor,
por caminhos absolutamente
novos.
Desvendaremos
novo sotaque
no caminhar,
novo jeito de pensar
e reencontrar
um relativo modo
de equilíbrio,
as mudanças necessárias
a uma vida verdadeira,
de poucos mistérios
e muito encanto... relativo,
mas definitivo.


De: João Costa Filho



publicado por jpcfilho às 21:37
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