Sábado, 30 de Junho de 2007

Um amor simples


'Romantic stroll' de Brent Heighton
                          “Romantic stroll”  de Brent Heighton


Desisti do eterno.
Também não falarei mais
do infinito
ou de paraíso,
pois distantes.
Agora, cuidarei mais
do palpável, do simples
cotidiano
ou do jeito mais comum
de coabitar:
homem e mulher.
Então, quero um amor
singelo,
“comunzão”, mesmo,
e que, principalmente,
goste de mim,
de me beijar,
de me falar de mel
ou de flores
ou me diga coisas
do amanhecer...
Se sente à mesa comigo,
se deite na minha cama
e que sejamos cúmplices
nesse levar a vida.
E nossos horizontes
só digam belezas...


De: João Costa Filho



publicado por jpcfilho às 21:35
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Quinta-feira, 28 de Junho de 2007

As "7 Maravilhas Da Blogoesfera" e as dificuldades deste escriba



A minha amiga Maria teve a gentileza de nomear-me como 1 das "7 Maravilhas Da Blogoesfera".


Senti-me lisonjeado, mas, de imediato, apercebi-me de que, aceitando tal nomeação, teria, no respeito pelas regras, de dar-lhe seguimento, nomeando outros 7 blogues.

Aí, este escriba passou de lisonjeado a embaraçado, porque não conseguirei, em consciência, fazer tais nomeações. Primeiro, porque, dos blogues que conheço, me seria difícil destacar uns e ignorar outros. Segundo, porque Maravilhosas são todas as pessoas que se dispõem, nos seus momentos de reflexão e de lazer, a partilhar com toda a gente  as suas opiniões e emoções, independentemente do modo como o fazem.


Assim, pode considerar-se como 1 das "7 Maravilhas da Blogoesfera" cada uma das pessoas cujo blogue esteja referenciado na minha lista de "links" e, ainda, todas aquelas que eu, ocasionalmente, visito, porque, com as suas palavras, me enfeitam os dias.


Obrigado, por isso, a todas(os) vós. 




João Costa Filho    





publicado por jpcfilho às 22:16
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Terça-feira, 26 de Junho de 2007

Quem socorrerá?


'Old man walking in a rye field' de Lauritz Ring
     "Old man walking in a rye field" de Lauritz Ring


Quem juntará as flores,
depois de pisadas?
Quem derramará uma lágrima
na cova rasa?
Quem apanhará os pedaços
desnudos?
Quem escutará
esse grito no escuro?
Quem descerá do muro?
Quem deixará seu sossego,
num sábado,
para espiar
os versos do viajante?
Quem escutará seus gemidos?
Quem dará abrigo
a essa alma penada?
Quem lhe mostrará
a linha do horizonte
perdido?
Ou lhe dará o ombro
amigo?...
Quem se lembrará
de quanto ele amou
e pensou que era feliz?
Quem arrancará de seu peito
essa tenaz?
Quem será capaz?
Talvez uma só palavra,
para aliviar esse passante,
de jeito errante,
que já não se lembra de muitas coisas
nem de que foi moço um dia
ou de suas estrepolias...
Hoje, apenas
reminiscências...


De: João Costa Filho



publicado por jpcfilho às 21:36
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Segunda-feira, 25 de Junho de 2007

Eldorado


'Garden of Earthly Delights' de Hieronymus Bosch
                                  "Garden of Earthly Delights"  de Hieronymus Bosch


Todos procuravam
o Eldorado.
Todos queriam o saber,
mas, na falta,
prestidigitavam
e acreditavam
e em si acreditavam.
Depois, iam ao irmão
e o faziam acreditar,
pois todos necessitam de fé.
Se todos querem o mapa
do caminho
e tem um bom irmão
para ensinar e levar.
Para quê esforços
e desgastes mentais,
se o "Big" irmão
te afirma o mapa
do paraíso
do menor esforço,
mentecapto?...
Então, senhores,
está estabelecida a fé.
Vamos ter trinta virgens,
camas de cetim azul-céu.
Tudo que tua santa imaginação
imaginar
estará em tuas mãos
ou aos teus pés.
Poderás cometer todos os genocídios,
pois estarás isento,
como teus mestres.
Vai nessa, "mermão"!...


De: João Costa Filho



publicado por jpcfilho às 21:32
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Domingo, 24 de Junho de 2007

Desalentos


'Cyclonic silence' de M. F. Husain
                              "Cyclonic silence"  de M. F. Husain


Do que posso falar,
quando estou triste?
Quando estou triste,
do que posso falar?
E que estou pensando,
quando não falo?...
O que falo,
quando não estou pensando,
se meus projetos,
meus sonhos e planos
eu calo?...
Quando penso ou quando falo
ou quando calo,
minhas expectativas se confundem
na desesperança, no desalento,
no descaso de meus ontens,
partidos...


De: João Costa Filho



publicado por jpcfilho às 21:36
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Quinta-feira, 21 de Junho de 2007

O teu sorriso


'Acme and Septimus' de Lord Frederick Leighton
                                    “Acme and Septimus”  de Lord Frederick Leighton


Todas as flores
que plantarem
e colherem,
para monumentais
oferendas,
todos os versos
do grande trovador,
ao cair da tarde,
ou a lira do cantor
em reclamos justos,
todas as batalhas tidas
e havidas,
todo os perfumes
naturais,
todos os ventos do norte
ou a boreste
do braço de Deus
ou furacões...
Toda a maldade
do homem
contra si mesmo
ou o maior amor
ou a pior dor da terra...
Todo o ódio da fera,
todas as planícies
e montanhas
ou o mapa dos caminhos,
mares bravios
e rios brincalhões,
toda a embriaguez
das paixões,
toda a ternura
da menina moça,
toda a loucura
do poeta
ou qualquer prêmio
outro, desse mundo,
comparam-se ao teu sorriso,
quando para mim...


De: João Costa Filho



publicado por jpcfilho às 21:56
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Quarta-feira, 20 de Junho de 2007

Melhorias


'Courtship' de Chase Web
                                  “Courtship”  de Chase Web


O desprezível tratamento
que me dás
não corresponde às minhas
multi-qualidades de indivíduo.
Posso parecer-te desimportante
ou de pouca valia,
mas, como os príncipes, os magos,
altas autoridades eclesiais,
políticos ou celebridades
primeiras,
sou tal qual,
com senhas e códigos genéticos,
particularmente tão meus, únicos,
que rio da ignorância
de me pensares terceiro.
Tenho em meu DNA
uma infinidade de células
necessárias aos gênios, reis
e quaisquer,
e uma composição tão complicada,
que dá discussões, discursos, simpósios,
congressos, conferências etc...
E tudo isso para me explicar.
Sinto em tua ingenuidade
que, talvez, por minha simplicidade,
não tenhas atentado para meus versos
e reversos e posturas,
que dizem, simplesmente,
com naturalidade,
que deveríamos misturar nossos
ácidos desoxirribonucleicos...
E que, por tua ingênua distração,
não percebes que
minhas altas prosopopéias orgânicas
estão devidamente credenciadas
nas misturas celulares mais remotas
e, portanto, me qualifico
e recomendo-me
ao acasalamento de nossos cromossomos,
para determinarmos uma melhora
em nossos caracteres somáticos
alotípicos e, finalmente
e em síntese, a melhoria
da espécie...
Amém...


De: João Costa Filho



publicado por jpcfilho às 23:11
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Terça-feira, 19 de Junho de 2007

Olhos distantes


'Reverie' de Dante Gabriel Rossetti
                                           “Reverie”  de Dante Gabriel Rossetti


O oráculo vaticinou:
a felicidade mora nas estrelas.
O aventureiro:
nos quatro cantos.
O marujo: nos sete mares.
O homem disse: no amor...
E de mil diferentes formas:
nos rios, nos montes,
nas borboletas, nas flores,
nos retratos de crianças.
Existem muitas e diversas.
E eu corri meus olhos atentos
pelo mundo
e tudo devassei,
com todos os sentidos.
Depois, muito depois,
vi, nas pupilas de
alguns olhos distantes,
a felicidade,
muito distante...


De: João Costa Filho



publicado por jpcfilho às 22:31
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Segunda-feira, 18 de Junho de 2007

Vens do norte...


'The enchantress' de Arthur Hughes
       “The enchantress”  de Arthur Hughes


Já te dei muitos nomes.
Já te fiz tantos roteiros
e tantas falas...
Vesti-te de princesa
e dei-te muitos tesouros.
Rolei o mundo a teus pés,
mandei o sol parar
e adornei a luz de luz.
Clareou dias, meses, anos...
Há muito que te vigio e oro,
e não sei teu nome
nem quem és,
senão, um monumento
que ergui,
para minhas orações,
para me expandir, me libertar,
algemando-me
aos ventos que
te trazem do norte...
Ou será do sul?...


De: João Costa Filho




publicado por jpcfilho às 21:34
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Sábado, 16 de Junho de 2007

Urgências


'An extensive landscape with a road by a ruin' de Philips Koninck
      “An extensive landscape with a road by a ruin” de Philips Koninck


Procuro, desesperadamente,
em cada esquina,
em cada dobra de rio,
alguém.
Alguém que abafe, de vez,
o desespero da solidão
no vale das almas perdidas.
É ruim, muito ruim,
se não estou em meu lugar...
O meu lugar
será onde houver amor,
onde eu possa ter um amor.
Simples, simples, só...
Um amor que me resgate
das sombras do nada,
que me reintegre na missão maior,
a minha missão, a nossa.
Amar, amar, amar
ruge em minhas veias
essas urgências
e me recuso a seguir
a árdua estrada, sem você.
Portanto, responda-me,
urgentemente...


De: João Costa Filho



publicado por jpcfilho às 21:33
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