Terça-feira, 31 de Julho de 2007

Anjo


'The Angel' de Edward Burne-Jones
                 “The Angel”  de Edward Burne-Jones


Anjo,
não deixes
que me acordem.
Deixa-me embalar
em teu colo
e canta canções
de ninar.
Não deixes
acordarem-me.
Zela, somente,
para que fique
uma eternidade
nesta loucura,
que és tu,
tão docemente.
E aqui é
meu lugar...


De: João Costa Filho




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Segunda-feira, 30 de Julho de 2007

Ventania


'Yacht under Full Sail' de James E Buttersworth
                                   "Yacht under full sail" de James E. Buttersworth


Que a ventania
ponha tuas velas pandas,
que te leve a porto seguro
e que lá seja teu norte.
Que, também lá, encontres
a pedra filosofal
e o cálice sagrado
e não tenhas mais o que buscar,
pois tudo é teu,
no dia de hoje...


De: João Costa Filho



publicado por jpcfilho às 22:10
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Domingo, 29 de Julho de 2007

Juntos


'Growing passion' de Laurie Cooper
                 "Growing passion"  de Laurie Cooper


Nasce e cresce,
além, o espectro
das utopias pousadas em ti,
vicejando em mim
e usando saudade
de quiméricas distâncias,
aportando em mim...
Ora sutil,
ora desarvorado,
num rumor intermitente
de cascadas e adejos...
Alento um elo.
Não sei quando
nem onde,
haverá o encontro sonhado
de nossos pecados, fundidos,
dois mundos estranhos
que, depois de juntados,
serão uma só peça,
um só invólucro,
uma só canção
e um só grito
de amor
que se escutará...


De: João Costa Filho



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Sábado, 28 de Julho de 2007

Última chance


'A last look back' de Celia Washington
                                              "A last look back"  de Celia Washington


Carrego comigo
remorsos tardios
de acertos, consertos
do que atropelei,
do que deixei de viver,
de amar,
de apreciar, de ver...
Por descaso,
por arrogância,
não percebi,
não quis ver
as mais singelas.
Hoje, fazem-me falta!
Necessito da última chance,
para olhar, tocar
a rosa vermelha,
a menina do adeus,
aquele beijo
desastrado,
a tatuagem na árvore
e algumas lágrimas
perdidas...
Agora,
que não me cabem,
eu as escreveria
em meu horizonte...


De: João Costa Filho



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Sexta-feira, 27 de Julho de 2007

Do outro lado da rua


'Waiting by the window' de Carl Vilhelm Holsoe
          "Waiting by the window"  de Carl Vilhelm Holsoe


Do outro lado da rua,
tem um corpo
dependente de ti,
uma alma
irmã da tua,
um sonho igual ao teu.
Do outro lado,
tem um peito aberto,
para te agasalhar
nas noites insones,
de muitos conflitos,
de lágrimas, choros e gritos
e tristezas,
das sombras noturnas
a te tumultuar.
Do outro lado da rua,
mora a saudade,
para matar a saudade,
só por te abraçar.
Lá, também tem gemidos,
noites longas
e todas as afinidades contigo.
Do outro lado,
está a certeza de tua conquista
e a mão amiga
estendida, para te dar,
o ombro amigo, para te ouvir,
o coração, para te falar.
Do outro lado,
mora um sonhador...


De: João Costa Filho



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Quinta-feira, 26 de Julho de 2007

Dilacerado


'A declaration' de Sir Lawrence Alma-Tadema
                                    "A declaration"  de Sir Lawrence Alma-Tadema


Os nervos
de minha alma
estão dilacerados.
Não te vejo...
Inexisto!
Como resistir
a tão intenso abandono?
Por que me inebrio,
assim, escravo?
Por que me alimento
de desprezo,
de migalhas?
Alguma porta
se haverá de abrir!
Necessito de luz!
Outra luz...


De: João Costa Filho



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Quarta-feira, 25 de Julho de 2007

Vazio


 'Young man at his window' de Gustave Caillebotte
"Young man at his window" de Gustave Caillebotte


Enfim, vulnerável
ao teu tom,
ao teu som,
à tua cor,
a ti...
E eu a teus pés...
Basta um movimento
e o grito
fica no espaço,
onde estivemos...
E demovem-se montanhas...
E o vazio
volta a habitar
o vazio...
E as noites frias
são mais frias...
E, no olhar,
a infinita pergunta:
Por que vieste
e por que foste?...


De: João Costa Filho



publicado por jpcfilho às 21:26
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Domingo, 22 de Julho de 2007

Egoísta


'The miser' de Hendrick Gerritsz Pot
                     "The miser"  de Hendrick Gerritsz Pot


Ele não se importava com os pássaros.
Sequer, via a luz, a não ser
em formas de sombras.
Também nunca esteve
na beira de um rio
ou do mar.
Os astros e toda a via láctea
lhe eram desimportantes.
Das estrelas,
ouvira falar de seu brilho,
mas não se interessara.
Que o mundo gira,
ouvira falar,
mas não se lembrava onde.
Que as flores e as matas
reverberam em cores
e luzes...
E as cascatas em sons
e arco-íris...
Nada disso percebia,
em sua cega rotina do nada.
Passou por aqui, se arrastando nas sombras
e nem se lembrava das sombras.
Era um homem esquisito e, amargo,
fechado como os cofres do mistério,
só escutava seu egoísmo
e, só pensando em si mesmo,
foi-se embora
e não viu nada,
nem ninguém se lembra dele...


De: João Costa Filho




publicado por jpcfilho às 21:48
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Sexta-feira, 20 de Julho de 2007

Ninguém foge


'The ages of life' de Georges Lacombe
                                             "The ages of life"  de Georges Lacombe


Ninguém foge
do glorioso destino,
que é meu,
que é teu...
Está nas linhas de nossas mãos.
Ninguém pode ir além
do horizonte...
Ninguém
foge de suas posses
do merecido,
com direitos ungidos.
Não se foge disso.
O mais que podes
é a aceitação
do que não diz,
do que humilha.
Baixa a cabeça, irmão.
Isto vais ter de carregar,
até àquela arrebentação
e, aí, te libertas
das escrituras...


De: João Costa Filho



publicado por jpcfilho às 22:18
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Quinta-feira, 19 de Julho de 2007

Onde estou?...


'Vicious circle' de Jacek Malczewski
                                                “Vicious circle”  de Jacek Malczewski


O que eu faço, agora,
com essa dor
que não é minha?
O que eu faço,
se canso de carregar
o que não sei?
O que faço, para aliviar
o que não pedi
e não está aqui?
Tento, tento me decidir,
me definir...
Mas como posso,
se não estou aqui,
onde estou, longe de mim?
Como fui tão longe,
se não saí daqui?
O que faço com essas lembranças
de que nem me lembro?
Onde devo ir,
ou ficar?
Não sei responder.
Nunca saberei...


De: João Costa Filho



publicado por jpcfilho às 22:24
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