Sábado, 22 de Setembro de 2007

Eu sei

 

'Solitude' de Lord Frederick Leighton

 

Eu sei

Se alguém
por algum motivo
disser que já não te ama
ou que não vê em ti
a ave do paraíso
que és...
Ou que, em teus olhos
não percebe a esperança.
Ou que, tua doce companhia
não lhe falta.
Ou que não és mais
a musa de todos os versos,
e de todas as artes?
Que não és, o mais inefável canto azul?
Ou se por desafeto
não te ver maior que o sol,
e a via Láctea ?
Que não bebe na fonte
de tuas palavras,
todas as notas musicais ?
Ou se nem sabe que caminhas
sobre as águas ?
Ou se nunca sentiu,
teu perfume, ensinar as rosas,
avencas, dálias, e margaridas ...
Ou se também, nunca percebeu
o encantamento que se põe
onde passas ?
E que a brisa leve e aromática
que cochilas com o vento ?
Ou que inventaram as guerras
só para que inventasses a paz ?
que o furacão e a bonança
te pertencem...
Ou que todas as paisagens
são apenas fundo
de tua imagem ...
Não fique triste.
Eu sei.
Sei isso.
E muito mais...



publicado por jpcfilho às 08:08
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Sexta-feira, 21 de Setembro de 2007

Autopiedade


Autopiedade

Estou acorrentado à torre
do sem fim
ali, depois da abóbada última
lá onde não falam de esperança
onde elas não chegam
onde não medra a fé.
Agnóstico de mim
descrente de tudo
compadeço-me das almas
ali perdidas
tenho dó imperativa
sinto vergonha contínua
não quero voltar
de onde vim
nenhum lugar é meu
nem ali é meu lugar
e me compadeço
das almas
daqui e dalém
e uso autopiedade.
para fugir dessa torre
e de mim...



publicado por jpcfilho às 09:25
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Domingo, 2 de Setembro de 2007

Eldorado e morte


'An allegory of the vanities of human life' de Harmen Steenwyck


                  "An allegory of the vanities of human life"  de Harmen Steenwyck


Faz parte
das almas solenes,
no dia a dia,
de rostos perplexos,
crispados,
vislumbrarem
outra coisa,
além da agonia
individual
de permear anseios
e devaneios
na procura de metáforas,
para renascer
de si mesmo
e encontrar a paz
- eldorado dos simples
e morte dos incautos...


De: João Costa Filho



publicado por jpcfilho às 21:44
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Sábado, 1 de Setembro de 2007

Tormento


'Blossom of pain' de Edvard Munch
           "Blossom of pain"  de Edvard Munch


Borrasca,
tempestade,
tufão.
Ondas e fortes tremores.
Tudo,
em violeta catástrofe.
O coração
espoca em mil faixas
de fogo, pus e sangue
multicores.
Abismos, quedas e fendas
e gritos eco-sonantes.
Tudo isso e eu na arena,
gritando gritos alucinantes.
Chega!
Chega de andar,
desandar e cair!
Chega de levantar,
vomitar e correr!
Chega de tudo!...
Quero morrer!


De: João Costa Filho



publicado por jpcfilho às 21:40
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