Domingo, 28 de Outubro de 2007

A Terra do Nunca

 

 

Os meus sonhos

vão além de mim

e viajo como um menino

pensador

para a Terra do Nunca

sempre saio de minha

hipócrita circunspeção

e me deixo levar

nas asas dos dragões

e sou o campeão

de resgates

de belas princesas

ensino, matemáticas

em Lilipute

vou a Floresta Negra

conversar com duendes

passeio na Ilha Encantada

e em todos os mundos

mágicos

guardados desde a infância.

Mas só me dou

a esses desfrutes

quando em meu retiro, de mim

esqueço que sou homem

sento-me debaixo da árvore da vida

e esfrego o Anel Mágico

e viajo para esse mundo

onde verdadeiramente

sou feliz.

 

 

João Costa Filho


publicado por jpcfilho às 06:07
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Sexta-feira, 26 de Outubro de 2007

Não é nada...

 

 

 

 

Vejo todos os dias

o homem se fazer super homem

fazer-se  demiurgo

brincar de Deus

brincar com Deus

e rir de si.

Desconheço escaninho humano

em que o homem não se atropele

e não cometa flagelos

a si mesmo,

não se mutile,

e, ou, se auto imole...

Um especial,

 jóia de valor...

Pensar o poder, como solução,

julgar-se acima de tudo.

Quanta besteira,

quanto deslumbre insano,

da celebridade, da celeridade.

Antes de ser importante

é deletério, é fraco, é covarde

é falso, é inumano

é ultrajante.

é porra nenhuma...

De: João Costa Filho

 

 


publicado por jpcfilho às 07:24
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Quarta-feira, 24 de Outubro de 2007

Remorsos

 

Perdi meu compasso de menino

e a régua a que me propus.

Da arquitetura que me planejei

nada restou,

só a desconstrução de mim,

do menino que era sábio,

e pensava os velhos poetas...

Sou quem não sou,

sei, que nunca soube

ou desaprendi o essencial

e perdi a essência de mim.

Convivo com que não gosto

e amargo o desespero

do resgate  à hora tardia

pobre homem rico

que carrega no dorso

todas as inutilidades

e na mente

todos os remorsos..

Deixei de ser homem

deixei de ser menino

e não carrego quase nada

que não seja, inútil ...

João Costa Filho


publicado por jpcfilho às 07:15
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Segunda-feira, 22 de Outubro de 2007

Fim de tarde

 

"Millet Architectonic Angelus" de Salvador Dali



Nas parábolas displicentes
de metáforas que me chegam,
ouço acordes 
de muitos fins de tarde,
quando os sinos dobram,
quando o dia cai,
quando é chegada a noite
(a hora do Angelus)
e a hora de visitar meus percalços,
de lembrar de alegrias,
de tecer melancolia
e saudade,
em viagens sem fim...
Hora sonolenta,
horas violentas e cardíacas
do que vivi,
do que aprendi,
do que apreendi...
Hora danada, essa...


De: João Costa Filho


publicado por jpcfilho às 07:43
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Sexta-feira, 19 de Outubro de 2007

De viver

 

 

 


'Close encounter' de Talantbek Chekirov
                                      "Close encounter"  de Talantbek Chekirov

um olhar ardente,
pungente, fremente,
o tocar, o abraçar,
taquicardias mil,
alguns tremores,
a garganta seca,
e a vontade de cavalgar
os corpos,
cada centímetro,
sem desperdícios,
sem perdas.
Corpo a corpo,
corpo e alma,
mãos nas mãos,
mãos em pesquisas,
tateando, tateando...
Olhos rezando,
e ouvidos zumbindo.
E a explosão...
São os encontros,
desencontros
e reencontros...
fugas, correrias
anseios, devaneios,
promessas, esperanças
mudas
e surdas
creio e descreio
sinto, amofino,
este sentimento,
danado de dor
e de amor.


De: João Costa


música: Num momento,

publicado por jpcfilho às 08:11
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Sexta-feira, 12 de Outubro de 2007

Fardo



Sofre homem,

carrega teu fardo.

Nada a fazer.

Nada tens que fazer.

Tosse,

geme,

arde,

enche de ar teus pulmões.

Viverás mais um pouco,

talvez muito...

Ainda tens

talvez de carregar

e descarregar algumas

barcaças de dor.

Esse é teu fardo

e de mais ninguém.

Arde,

tosse,

geme,

homem...

 

De: João Costa Filho


publicado por jpcfilho às 18:33
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