Quinta-feira, 21 de Fevereiro de 2008

Fantasia


'A bride's Fantasy' de Georges Jules Victor Clairin
                                   "A bride's fantasy"  de Georges Jules Victor Clairin


Se fores leve
como tuas palavras,
se fores audaz
como tuas fantasias,
lírica como teus versos,
se amiga
das borboletas
e do canto
dos pássaros,
se etérea como os anjos...
Há muito,
estás clandestina em mim
e sinto emoções
leves,
ao te pensar,
e lucubro tudo

contigo,
encantos e façanhas,
nas áreas suaves
dos sonhos
suaves de nós dois...
Adejo leve nos amanhãs
e volto a voar em asas

tanscendentais
Obrigado

por existires!...


De: João Costa Filho



publicado por jpcfilho às 20:48
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Sexta-feira, 15 de Fevereiro de 2008

A porta


'Fenomeno' de Remedios Varo
              "Fenomeno"  de Remedios Varo


As horas revezam-se.
A porta está de sobreaviso.
A campainha pára, absorta.
Nem um tom,
nem um som,
nem sequer um semitom
que, para mim,
seria uma sinfonia...
Por que não tocas, campainha?
E tu, porta, queres enferrujar?
Acho melhor eu ir ao bar
e, quando alguém passar,
qualquer alguém,
vou pedir para trinar-te, campainha,
desenferrujar-te, porta,
e talvez...


De: João Costa Filho



publicado por jpcfilho às 04:37
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Domingo, 10 de Fevereiro de 2008

Os Crimes do poeta


'A dead Poet being carried by a Centaur' de Gustave Moreau

“A dead Poet being carried by a Centaur”  de Gustave Moreau


Nada posso saber
e nada sei desses crimes
de abjurações.
Talvez, crime hediondo?...
Mas deve ser ele
o culpado.
Um sujeito que beija colibris,
que carrega o mapa dos caminhos
e se perfuma nos raios de lua...
Que se banha no orvalho,
que conversa com os peixes
e os pássaros,
com avencas, dálias
e, com rosas, tira prosa...
Que usa um gafanhoto na lapela,
que assobia e sussurra
o nome Dela,
que atravessa a ponte,
para beber a água da fonte
e da sabedoria...
Que tem intimidades
com o arco-íris,
que deita e dorme
na Via Láctea,
que faz louvação
às noites estreladas,
onde a solidão é nada...
Que conhece
a linha do horizonte,
que tem os pés
em todos os rios,
que se perde no labirinto
dos sonhos,
que carrega consigo
muitas catedrais,
que fala, corretamente,
o idioma dos absurdos,
que entende, preferencialmente,
os loucos,
que é dono dos prantos
e reclamos
das coisas do amor...
Que é vizinho da dor,
que vive nas nuvens
e sabe tudo dos grilos
e dos ventos uivantes...
Que desabrochou as margaridas
e os lírios do campo...
Só pode ser ele!
(quem mais seria?...)
O poeta!
Recomendo a pena capital.


De: João Costa Filho


publicado por jpcfilho às 05:31
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Quinta-feira, 7 de Fevereiro de 2008

O honesto


'Le mal du pays' de René Magritte
              "Le Mal du Pays"  de René Magritte


Mora em mim
num jardim
atrás de bom moço
com muito osso
bom cidadão
de nome joão
homem bom
fora de tom
um bom sujeito
mas sem jeito
ou tudodebom.com.br
e tudo o que são efes e erres
de ele é o "cara"
da tara
de poucos pecados
falados
sem mazelas

com muitas delas
essas não conto
nem por um conto
sou de segredos
e muitos medos
estes de fundo de poço
com muito caroço
os outros a ninguém interessa
para quê pressa
por que mostrar-lhos
e incentivar-lhos
porque indignar meus pares
se irei prós ares
com minha humanidade
quanta bondade
mas não tenho vergonha
das coisas medonhas
pois se não falo
só calo
se o sucesso
deste incesto
é justo ser quem sou
com louvor.
Desonesto!...


De: João Costa Filho



publicado por jpcfilho às 05:42
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Domingo, 3 de Fevereiro de 2008

Prisioneiro

 

Estou em disponibilidade

e te espero, todas as manhãs

Quero morrer aprisionado

em teu corpo ,

suaves algemas.

Acredito agora em destino

se afora isso,

de nada sirvo...

Viver por ti

pensando em ti

É o que me resta

em meus amanhãs.

Vejo-te, capitulo,

e frágil alma dividida,

 e sempre disponível,

a espera de dizer-te,

muitos versos e canções

de escravidão...

Serei versos, pincéis,

paletas cinzéis,

Vinicius, Tom, Chico

serei Goya, Portinary,

Da Vinci,

serei Tu

serei Teu,

forever...

 

De: João Costa Filho

 


publicado por jpcfilho às 12:03
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