Segunda-feira, 31 de Março de 2008

As noivas


'Death the Bride' de Lucien Lévy-Dhurmer
                                          “Death the Bride”  de Lucien Lévy-Dhurmer


E a noiva de branco
abandonou um quase
cadáver, no altar
quase, por palidez
de prenúncios
macabros.
Ali, estava um homem
sem pensamentos,
de idéias fugidias,
de porte cabisbaixo,
de amanhã turvado
por aquele destino
ruinoso
de, ali, naquele momento,
ter decidido,
- aliás, já há muito decidira -
que, sem ela,
não viveria.
Então, ela, a outra noiva,
 a de negro,
esperava.
Ele saiu sem ver ninguém,
foi a um bar,
tomou um gole,
só um gole,
e ouviu-se um estampido,
só um estampido,
e caiu nos braços
da outra noiva,
para sempre...


De: João Costa Filho




publicado por jpcfilho às 14:19
link do post | comentar | ver comentários (12) | favorito
|
Quinta-feira, 27 de Março de 2008

De Heróis e Santos


'Archeological reminiscence' de Salvador Dali
                                     "Archeological reminiscence"  de Salvador Dali


Não existem heróis
nem santos.
Existem devaneios,
e projeções
de nossos sonhos...
Todos tão somente humanos
em suas qualidades
inerentes e intrínsecas
do homem
e sua humanidade,
que, ao pesar, não é muito
do que nos pretendemos,
mas apenas projetos,
sonhos desesperados
de resgatar,
mesmo que em outros,
um sentido mais nobre
para a vida,
para o homem
e sua estatura.
Se, por um momento,
perquirirmos os personagens,
veremos que
os heróis, os santos
e nós mesmos
somos de barro.
Por isso, padecemos
e dividimos
todos os bens
a nós doados,
igualmente...
A nós, aos heróis,
aos santos e aos demônios,
que nos fazem unos...


De: João Costa Filho



publicado por jpcfilho às 15:12
link do post | comentar | ver comentários (20) | favorito
|
Terça-feira, 25 de Março de 2008

Quem...?


'The enigma' de Gustave Dore
                                                   "The enigma"  de Gustave Doré


Quem ficará
com as portas abertas,
sendo o homem seu vizinho?
Quem fechará um negócio,
sem as devidas assinaturas?
Quem deixará uma quantia
num banco de praça?
Quem casará,
se não houver
um padre, um juiz
e muitas testemunhas?
Quem levará seus filhos
a passear nos parques,
depois de anoitecer?
Quem amará seu próximo
como a si mesmo?
Quem não chamará seu santo
nome em vão?
Quem não venderá o homem,
novamente?
Quem dará de beber
aos leprosos?
Quem juntará alguns
pedaços partidos,
para aliviar alguma dor?
Quem ainda usará
o mapa do caminho?
Quem falará de flores,
sem parecer ridículo?
Quem porá água nas plantas?
Quem abençoará
o amanhã?
E, se abençoar, ele virá?
Quem ainda ouvirá
o som dos ventos,
trazendo boas novas?


De: João Costa Filho



publicado por jpcfilho às 22:28
link do post | comentar | ver comentários (4) | favorito
|
Sábado, 1 de Março de 2008

´De águas passadas

 

De águas passadas

sobrevivo e vagueio

incômodas perdas.

Penso praças e flores

 bares e catedrais

de sinos, que dobram,

não por mim!

 E floreio versos

e canto tristezas

para ninguém.

De águas passadas

recordo e vivo

sonhos perdidos

na solidão de mim...

Foi ontem,  hoje.

todos os dias

estás aqui

Em águas passadas

nunca mais fui eu

Sou sempre  tu,

me perdendo

lá onde te perdi.

 

João Costa Filho

 


publicado por jpcfilho às 17:09
link do post | comentar | ver comentários (17) | favorito
|

.Ao som de:


.mais sobre mim


. ver perfil

. seguir perfil

. 15 seguidores

.Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

.posts recentes

. Ficastes

. Quase ontem

. Denúncia

. ADEUS, AMIGO

. ...

. Bendito fruto

. ...

. Amor animal

. Interiores

. A partida

.Link em selo



.tags

. todas as tags

.pesquisar

 

.subscrever feeds