Terça-feira, 29 de Abril de 2008

Errante

 

Erro às ruas,

nas costas largas

 a mochila da alma

carrega passados

carrega estragos

estranhos de onde vim.

Em cada esquina eu paro

saudades

anversos

muitos versos

Em todo lugar estás

me toco, volto

estás, ainda estás

De porte altaneiro

incostestável

indubitável

és tu

e as esquinas versam

anversam

um calafrio em meu corpo

 

de: João Costa Filho

 

 

 

 


publicado por jpcfilho às 09:34
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Sábado, 26 de Abril de 2008

Artificial

 

Sou artificial

sou virtual

sou um software?

Tocado a chips, memórias

gigas e megabytes

meu hardware definido

na concepção

faço todas as equações

e engenharias  abjurações

doutrinas e  lombadas

tenho o reflexos inimagináveis

intransigentes

no ecran do monitor

que controlo sem virtudes

disco rígidos

almas firewall

seres alienígenas, alienados

 mas  virtuais

e os artificios, onde estão

necessito de upgrade

e outras transformações

sou ultrapassado , sempre

e virtual sem virtudes

sou anexo, arquivo, sou complexo

links, cookies, programas

programo, arrimo de mim mesmo

teclo mouses

e sons  artificiais, sou virtual

meus sentimentos

não têm moral

nenhuma disposição afetiva

e muitas inconveniências

tiltes e quetais

e muitas emoções deletadas...

João Costa Filho

 

 


publicado por jpcfilho às 13:59
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Terça-feira, 22 de Abril de 2008

Procura-se...


“Christ driving the merchants from the Temple” de Jacob Jordaens
                    “Christ driving the merchants from the Temple”  de Jacob Jordaens

 

 

Procura-se um Deus!
Um Deus de misericórdia
e que, sobretudo, ame
os colibris, os meninos de rua
e as rosas, e os pássaros
Um Deus que, de nenhuma forma,
seja raivoso e vingativo
e que também não envie
ninguém
para as profundas dos infernos.
Falo de um Deus que entenda
que pecar não é pecado
e que os pecados mortais
sejam só para os imortais
e que possamos conversar de sexo,
naturalmente,
assim como é natural
um Deus de muito azul
e de todas as janelas voltadas
para o verde esperança.
Um Deus que, de nenhuma forma,
se alie aos políticos demagogos
ou a pastores, padres ou quaisquer

 de índoles duvidosas
e que nunca, por nenhum motivo,
cobre dízimos aos miseráveis,
prometa  indulgências aos poderosos,
e que seu santo nome
nunca seja pregado em vão
ou em formas de propagandas
arrecadatórias
e que não exija castelos, catedrais
e outros monumentos ornados de ouro.
E que também não nos puna e flagele
como recomendações diuturnas
de seus ricos representantes...
Enfim, quero um Deus assim
simples, como parece ser.
Assim com a exuberância da natureza
em toda sua majestade de rios,
montes, lagos e florestas...
Assim, como a natureza, deve ser este Deus
e com um olhar profundo para o homem
em seu mandamento maior:
“Ama a teu próximo como a ti mesmo”...


De: João Costa Filho



publicado por jpcfilho às 19:24
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Sábado, 19 de Abril de 2008

Anúncio

 

A

 

Não falarei mais

de estrelas

de flores

nem de infinito

ou noites enluaradas

Vou  ater-me

ao possível

ao mais simples.

Pois bem,

quero tão somente

um amor

só um amor

com suas conseqüências

e como  vier,

não importa

Quero apenas alguém

que me dê as mãos

para caminharmos

simplesmente

nas veredas da vida,

ou nas varandas

do destino.

Enfim um amor

mesmo que indefinido...

É uma necessidade

urgente...

João Costa Filho

 

 

 


publicado por jpcfilho às 14:32
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Quinta-feira, 17 de Abril de 2008

Meus versos


'The Poet as a wayfarer' de Gustave Moreau
                                    “The Poet as a wayfarer”  de Gustave Moreau


Tento fazer uns versos
que digam de minhas
intenções e frustrações,
de toda a força desmedida
que me assoberba,
de toda a fúria e dor,
das demandas inalcançáveis,
do amor desperdiçado
ou que, sequer, foi amor,
do grito na garganta, preso,
dos encontros e desencontros,
das perdas e danos,
de todos os furacões de paixões
avassaladoras que me possuem,
de minhas verdades e mentiras...
Meu terrível Eu,
pulsando...
Mas são tão independentes
como pensei ser, um dia,
quando pensava que podia
escrever poemas de truz
que me elevassem à qualidade
de cantador de luz.
Prisioneiro da independência,
fiquei como meus versos,
sem distração
e relegado para categorias
menores...


De: João Costa Filho



publicado por jpcfilho às 05:51
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Terça-feira, 15 de Abril de 2008

Baú de flandres


'In the attic' de Alfons Spring
                                               “In the attic”  de Alfons Spring



E o meu baú
de flandres resiste
a todas as tentativas
de limpeza
e, pé ante pé,
desarruma ao vento,
mas resiste às mudanças
e a qualquer toque
do novo,
às novas dores,
aos novos amores.
Apenas, um baú
de folhas secas,
secos significados,
secas recordações.
Apenas objetos
inanimados,
de costas
para a vida...


De: João Costa Filho



publicado por jpcfilho às 05:57
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Sábado, 12 de Abril de 2008

Aos catadores


'The tree of life' de Gustav Klimt
       "The tree of life"  de Gustav Klimt


Como explicar às pedras partidas
das metáforas da vida
veloz, sônica,
sem volta,
as prendas guardar,
as perdas somar
no féretro definitivo,
fugaz,
definito, mas fugaz,
que nada
vai além
do nada?...
Comecemos de novo...


De: João Costa Filho



publicado por jpcfilho às 21:34
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Domingo, 6 de Abril de 2008

A tua Luz


'The Bridge of Life' de Walter Crane
                                                “The Bridge of Life”  de Walter Crane


A tua Luz é,
infinitamente, tua.
Teus cálculos são teus
e a tua dor,
de mais ninguém.

Ninguém se deitará
com tua dor

ou acordará

com tuas lágrimas
nem entrará em teu caixão.

Antecipa-te à escuridão
e cedo madruga,
na titânica luta
a ti reservada.

Tens de ir e lutar.
Não contes com heróis anônimos

nem santos da vez
ou com bons palpites...

Veste tua melhor armadura,
a mais reluzente,
faz tuas orações
e vai à guerra.

A tua salvação também
só de ti depende.

E guarda teus segredos

nas anforas sagradas
como a última barricada,
se o perdão
a ninguém pertence...


De: João Costa Filho



publicado por jpcfilho às 14:04
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Quinta-feira, 3 de Abril de 2008

Ampulhetas


'Landscape with butterflies' de Salvador Dali
                 "Landscape with Butterflies"  de Salvador Dali


Escorre, entre meus dedos,
a areia dos tempos,
como, na ampulheta,
vai escorrendo
meu tempo de borboleta
e, no planisfério,
todo meu mundo
ao meu alcance
e das palavras
de meus segredos
que, mesmo guardados,
não são mistérios,
se ali estão à mão
no planisfério.
São lugares comuns,
somente coisas comuns.
Do que guardei,
tudo desnecessário.
Parecem ficar sempre
à distância de mim,
nesses mistérios
e planisférios.


De: João Costa Filho



publicado por jpcfilho às 05:25
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