Domingo, 28 de Setembro de 2008

Ser só


'The kiss' de Auguste Rodina
         "The kiss"  escultura de Auguste Rodin


Como ser só,
neste universo

de mim,
tão sem fim?...
Necessito somar  ,

teres e haveres

e dizer de mãos dadas

que já não somos

silêncio?
Que senha usar

e penetrar nesse universo

de viver?

E natural,

fazer amor...
alguém me escuta...
Como dizer,
da solidão do homem
esse abandono,
de viver?
Que batam em minha porta,
para falarmos do que esqueci,
e brinque comigo,
 e diga coisas simples...

e faça coisas simples.
E nos completaremos,
quando nos contemplamos,
na soma fundamental
de dois corpos,
duas mentes,
duas almas...
Que, juntos,
seremos mais de mil
e, sós,
apenas a,
solidão...


De: João Costa Filho



publicado por jpcfilho às 06:06
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Quinta-feira, 11 de Setembro de 2008

Aqueles olhos


'Her eyes are with her thoughts' de Sir Lawrence Alma-TademaA
                        “Her eyes are with her thoughts”  de Sir Lawrence Alma-Tadema


Nos olhos, espelhos
molhando o infinito,
uma luz intensa
iluminava um adeus.
Olhos de dor
falam todos os idiomas,
dizem tudo de sofrer
de amor.
Olhar aqueles olhos
é integração,
é abandonar-se
e participar de danos
pungentes e amargurados.
Olhar aqueles olhos
é sentir
os nervos da alma
arranhados em cacos de vidros
e cair num abismo
que não é teu,
nem o adeus é teu,
mas é tua a condenação
de sofrer por aqueles
olhos
que não te vêem...


De: João Costa Filho

 

 

Para os amigos. esse é o espaço de Maria Luísa Adães:     

 http://prosa-poetica.blogs.sapo.pt  


 


publicado por jpcfilho às 06:17
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Segunda-feira, 8 de Setembro de 2008

Eternamente


'A dreamer' Caspar David Friedrich
                          “A dreamer” Caspar David Friedrich


No âmago de minha alma
tu estarás sempre.
Aqui, moras há muito,
mas quase não tens vagar.
Temo que, mesmo sonho,
um dia partas,
deixando desabitado
o vazio,
nossas conversas e
nossos carinhos
de roteiros precisos,
pois sonhos.
Se pinturas,
tenho o pincel exato.
Se escultura,
um cinzel vivo.
Se vocábulos,
faço delicadas leituras,
tão delicadas
às almas que amam
incertezas.
E, assim,
sempre estás comigo,
como nuvens, pássaros,
rosa, sexo.
E, assim, retenho-te
indelével,
sem conhecer-te,
mas possibilito tudo,
na inesgotável capacidade
de criar, para mim,
esse mundo de nós dois,
eternamente...


De: João Costa Filho


 


publicado por jpcfilho às 08:10
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Quarta-feira, 3 de Setembro de 2008

A culpa

 

 

Quero fugir

de dentro de mim

quero sair deste horror

a mim imposto

tenho que carregar

às costas

esta negação

este não aceitar

torturas que me dilaceram

e mutilam

corro para as ruas desertas

para cidades desertas

e escuras

viajo atormentado

nas pinturas de Munch

e nos poemas de Poe

agarro minhas têmporas

e corro, fujo, de mim

para as florestas da noite

ou para alguém

que me abrace forte

que me abrace muito

e me diga suave

 e me prometa suave

preciso de mãos

que me perdoem

não sei

só me perdoem

de minhas ancestrais

culpas.....

 

João Costa Filho

 

 

 


publicado por jpcfilho às 14:42
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