Segunda-feira, 27 de Novembro de 2006

Turvo


'Ancient mariner' de Gustave Doré
                   “Ancient mariner”  de Gustave Doré


Sou um nada,
caminhando
na escuridão,
procurando um amanhã,
pelo menos,
cinzento.
Vivo ao critério
de ventos e tempestades
que não me pertencem,
mas visitam-me,
regularmente.
Sem decisão minha
que eu diga “Eu”,
me arrasto nas sombras
de onde vim.
Não sou,
nunca fui.
Se vou ser,
também não sei.
Dependo de critérios
alheios,
que de mim
ou de nada
sabem...


De: João Costa Filho



publicado por jpcfilho às 22:31
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