Quinta-feira, 4 de Janeiro de 2007

Minha libertação


'A walk between worlds' de M. L. Walker
                                             “A walk between worlds”  de M. L. Walker


Meu silêncio
é hospedeiro de renúncias
e da aceitação esmagadora.
Existo, logo, hesito,
vivo e vegeto.
As amarguras de perdas
e danos
me acovardam
na fácil aceitação
das algemas,
dos dogmas, das leis
e de todas as burocracias
impostas pelo Estado
e pelas Escrituras.
Necessito, urgentemente,
de minha liberdade
que não sei usar.
Sou refém de panfletos
e adestramentos seculares,
mas renego as origens.
Embora boneco de pano,
não prescindo de minha liberdade,
para ser eu,
para ser alguém
independente
desta ordem unida.
Quero voltar a ser homem,
terra, natureza,
como antes!...


De: João Costa Filho



publicado por jpcfilho às 21:06
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4 comentários:
De Silvia a 5 de Janeiro de 2007 às 09:53
Eu penso que a liberdade é um bem essencial e eu revolto-me frequentemente por na sociedade em que estamos ser livre é apenas uma utopia. Ninguém consegue ser livre com as imposições cada vez mais ignorantes da sociedade, dos ministros e de todos os que se dizem de alto estatuto. Vivemos amedrontados, enganando a nossa própria vontade para conseguir vingar na "porcaria" que nos impõem.

Se expressamos as nossas vontades automáticamente deixamos de fazer parte deste camuflado de "parvoices".

Em que áreas tem formação? (Se não quiser responder é livre para isso mas eu gostava que não tivesse essa liberdade).

Até


De jpcfilho a 6 de Janeiro de 2007 às 07:45
Olá Silvia, é isso aí, somos engolidos por tantas leis e dogmas de de nada nos servem, além de nos aprisionar, e nisso o homem é apenas um prisioneiro de toneladas de dejetos humanos... E não sou formado na área de literaturam, mas tenho a formação do mundo, e do tempo... beijos


De Mel de Carvalho a 5 de Janeiro de 2007 às 18:58
Amigo ...
O Silêncio doí tanto. O nosso, o do outro...
Poema profundo. Volto qd puder para ler de novo!

"Existo, logo, hesito,
vivo e vegeto." .... Vives, logo não vegetas ... ainda que a vegetação seja um estado latente de alma - chamo-lhe "hibernação" ... Hibernei tantos anos ....

"Quero voltar a ser homem,
terra, natureza,
como antes!..."

Perdoa... por não ler os restantes...
Virei, com todo o carinho noutra hora...
bjs d(a) e Mel

PS:: De outro modo disse o mesmo num dos meus últimos poemas "voltar a ser gente..." ...

Bom fim de semana!



De jpcfilho a 6 de Janeiro de 2007 às 07:48
Olá Mel, tá perdoada, mas volte sempre...beijos


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