Domingo, 7 de Janeiro de 2007

Eu e o rio


'Landscape with waterfall' de Thomas Moran
        “Landscape with waterfall” de Thomas Moran


Estou aprisionado,
mas sou como rio
represado,
que rola, geme, estala,
despenha veloz,
reclama, grita, não cala.
Não sou água parada.
Não sou o lago presunçoso.
Sou rio, sou pássaro,
nunca o mesmo.
Não tenho paragem,
mostro minha inquietude
de rio.
Minha vocação
é correr sem destino.
Nada me deterá.
Até o encontrar,
rolarei muitos seixos,
subirei para o sol,
deitarei nas nuvens,
cairei em chuvas,
chuvas de mim,
a ver meu destino,
sem amarras,
para as aventuras
e outros horizontes...


De: João Costa Filho




publicado por jpcfilho às 21:07
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5 comentários:
De Sílvia a 8 de Janeiro de 2007 às 19:24
Este "carinha" não é dado a monotonias. Um dia dorme na nuvem outro dia na alcofa e a gente não sabe com quem..."topou"?
Mas este "carinha" parece feliz...tonto mas feliz. Não é minha gente?
O "carinha" do texto anterior era pobre mas apaixonado e este parece ser um coração sem dono.
Será? "Vixe?"

Escrevo bem Brasileiro?

Estou praticando, né?

Inté uma próxima


De jpcfilho a 8 de Janeiro de 2007 às 23:22
É verdade Silvia, a vida não é monótona, só é monótono quem nem sequer sabe sonhar.. Então a gente vai correndo muitos momentos, e tal qual como na vida real, ou vice-versa, tempestades, nuvens passageiras e a bonança é claro, que ninguém é de ferro.
beijos


De Lu Rosario a 8 de Janeiro de 2007 às 20:03
O rio... existe um livro de poemas em que todos os poemas se referem ao rio.
Quando se pensa nele.. pode-se atribuir tantas coisas.
Adorei o poema.

Beijos!


De jpcfilho a 9 de Janeiro de 2007 às 07:16
Olá Lu, realmente o rio abre leques na imaginação, por sua inconstância, por nunca estar no mesmo lugar no mesmo tempo, e por ser livre, e tantas coisas, que é uma figura poética das mais requisitadas...beijos


De Mel de Carvalho a 10 de Janeiro de 2007 às 16:50
Estou aprisionado, no ventre quente da terra
mas sou como rio, borbulhante,
represado, na urgência de ser Mar,
que rola, geme, estala, abocanha e é algoz e se
despenha veloz, nas margens de aluvião.
Reclama, grita, não cala.

Não sou água parada. Sou Alma nómada sem morada
Não sou o lago presunçoso. Sou Espelho do teu rosto
Sou rio, sou pássaro, que pássaro pode voar
nunca o mesmo. Jamais ancorado ao lugar.
Não tenho paragem, Nem rumo, nem rota,
mostro minha inquietude, no velejar de mil estradas do ar.
De rio. (Sinto apenas o frio ...)
Minha vocação - essa é minha oração -,
é correr sem destino. Ser do Amor paladino!
Nada me deterá. Serei quem sou e, de mim o vento falará ...
Até o encontrar, o verde veio do ar ...
rolarei muitos seixos, tocarei muitos desnudos seios
subirei para o sol, pela ponta de um cometa
deitarei nas nuvens, em masmorras de algodão
cairei em chuvas, em imundas e grossas gotas,
chuvas de mim, de um caudal sem fim
a ver meu destino, se lembra de um menino
sem amarras, felino nas suas garras,
para as aventuras, trepador de serras e montes
e outros horizontes... Eterno buscador!
***

Olha amigo, hj deu-me para te "espelhar" ... um exercício que não fazia há algum tempo, e que gosto muito ... espero que gostes deste poema "Melodia a Quatro Mãos"


Um abraço, grande da Mel ...

PS.: Parei aqui e li tudo ....


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