Sexta-feira, 9 de Fevereiro de 2007

O Velho


'Insomnio' de Remedios Varo
                    "Insomnio"  de Remedios Varo


O Velho,
arrastando o chinelo,
resmungando à toa
na casa vazia,
nem escuta o silêncio.
O Velho,
de martelo na mão,
tentando matar o tempo
que o está matando,
cinzela a solidão.
O Velho
recrudesce o passado
do gigante que era
de grandes conquistas
e babilônias construídas.
O Velho
lembra os castelos que fez,
quando sorria com vontade
e foi moço um dia
e amava de verdade.
O Velho,
de boca aberta
e olhos cansados,
pensa saudade:
lembranças toldadas.
O Velho
passeia em si ontem,
na cadeira de balanço.
Um redemoinho hoje
lembra dos filhos.
Onde estarão?...
O Velho
nem lembra por que fez tantos
e alimentou-os
e beijou-os.
E cadê eles?
Sumiram porquê?
E o Velho,
resmungando à toa,
de olhos vazios,
de boca aberta e tino toldado,
nem sabe por que ficou sozinho.
Cadê os meninos?...


De: João Costa Filho



publicado por jpcfilho às 21:35
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De YSL a 10 de Fevereiro de 2007 às 12:24
Encontrei por acaso (e que acaso maravilhoso) este teu blog, obrigado por existires...
Há palavras que têm o condão de nos deixar surdos...estas até cega me deixaram!


De jpcfilho a 10 de Fevereiro de 2007 às 16:17
Olá YSL, obrigado pelo acaso de ter vindo, e tb pelas palavras. Apareça sempre.. Grande abraço.


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