Domingo, 9 de Julho de 2006

Sem pensamentos


'The crossing' de Bill Viola
                     “The crossing” de Bill Viola


Sem pensamentos,
vadio horas no breu
de minha introspecção.
Não questiono
e não tenho solução.
Não penso,
inexisto.
São temporadas escuras,
é a alma com frio,
é passear vazio,
em esquecimentos.
Não tenho idéias.
Sou um só apagão,
o isolamento de mim,
da vida em si,
mas não quero voltar.
Se aqui me escondo,
tenho minhas razões.
E o que deixei lá fora
e causa das angústias
fora ficará
de meu tédio interior.


De: João Costa Filho




publicado por jpcfilho às 22:14
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Sábado, 8 de Julho de 2006

Negação


'A feeling of dependence' de Sascha Schneider
“A feeling of dependence” de Sascha Schneider


E segues o caminho
da negação.
Nunca estás,
se devias estar.
E te alienas
do todo simples
e te enclausuras
em ilha assombrada.
Se de ti foges,
se o espelho evitas,
jamais caminharás ereto
ou de alma leve.
O teu destino é o outro.
O outro és tu.
E, sem essa unidade
gregária,
nem verás nada
ou serás visto.
A única opção
é o dar as mãos
do eu e do outro
ou o final apocalíptico...


De: João Costa Filho




publicado por jpcfilho às 23:10
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Sexta-feira, 7 de Julho de 2006

Teu destino


'Destiny' de John William Waterhouse
               “Destiny” de John William Waterhouse


Há destinos que se
distanciam,
porque não sabem
que foram criados
para se completar.
E tu distancias-te de mim,
desdenhando meus apelos,
sem dar à tua vida
esta única chance.
Eu, que te procuro há mil anos,
em idades diversas,
aprendi e apreendi
todas as artes
de te fazer feliz.
É essa minha missão:
fazer-te sorrir,
encher-te de mimos
e de tolices mundanas.
Tudo o que quiseres
será teu.
Num olhar, acreditarás
que somos unos.
Não me importo
de ser ridículo.
O importante somos nós.
Vem! Põe tua felicidade
num pote de mel,
consulta tuas rosas
e o mapa do caminho,
e acreditarás que só nos temos
um ao outro...


De: João Costa Filho



publicado por jpcfilho às 21:01
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Quarta-feira, 5 de Julho de 2006

Não falem


'Silence' de Lucien Lévy-Dhurmer
          “Silence”  de Lucien Lévy-Dhurmer


Não desperdicem palavras gentis
a uma alma taciturna.
Nem falem de flores
em campo de guerra.
Não digam de amor
em covil de ódios.
Não digam verdades amargas
onde há mentiras suaves.
Não falem de amor
num vale de lágrimas.
Não falem de honestidade
onde grassa a fome.
Não digam de cura
aos enfermos terminais
nem de esperança
aos condenados...
Oxalá ficassem calados
ou nada fosse dito
como afronta.
Oxalá falassem sempre
de amor e de flores,
somente onde possam
recrudescer...


De: João Costa Filho




publicado por jpcfilho às 22:25
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Terça-feira, 4 de Julho de 2006

O dedo


'The Creation of Adam' de Michelangelo Buonarroti
                                  “The Creation of Adam”  de Michelangelo Buonarroti


O dedo mostrou o
caminho dos montes
e apontou as estrelas,
distantes musas.
O dedo apontou a lua
e teceu a lã
que cobriu o homem,
naquele inverno.
O dedo roçou a flor.
O dedo fez amor.
O dedo, campeão
de carícias.
O dedo disse à menina
em que lado da rua
ela morava.
Fez trejeitos obscenos.
O dedo furou o bolo.
O dedo contou os dedos.
O dedo contou a multidão.
O dedo disse não
e riscou um divisor
de histórias.
Dedo em riste
fez a guerra,
ordenou massacres.
O dedo acusa.
O dedo dedura.
O dedo expulsou
do paraíso
e cabalou votos,
e enrugou,
e apontou os homens,
e os condenou,
e os delatou.
O dedo vil
crucificou o Homem.
Depois, fez o sinal da cruz...


De: João Costa Filho



publicado por jpcfilho às 22:31
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Domingo, 2 de Julho de 2006

Vamos falar do bom


'Allegory of Earth' de Jan Brueghel the Younger e Hendrik van Balen I ou Hendrik van Balen II
            “Allegory of Earth”  de Jan Brueghel the Younger
                          e Hendrik van Balen I ou Hendrik van Balen II



Sempre explodi de emoção,
ao olhar as crianças brincando,
ao ver a chuva cair,
o sol brilhar,
ao provar mangas
e todas as frutas,
ao ouvir
a algazarra dos pássaros
e os irrenováveis rios,
o “Rio de Janeiro,
Fevereiro e Março”...
Uma planta, muitas plantas,
uma rosa, outra rosa, muitas rosas,
alguns cravos,
o amor, muito amor, o amor!
E o narizinho das mulheres,
e os olhinhos das mulheres,
e a boquinha das mulheres,
e a cinturinha delas,
a geografia delas
e aquela arquitetura total
(sem os temperamentos,
é claro!...)
E a urgência de se completarem
e nunca se distanciarem.
Com muita alegria
e um pouco de melancolia
e muito amor,
amor sem fim...
Posso não acreditar nos profetas,
nos santos ou nos políticos,
mas que Deus existe?...
Ah! Existe, SIM!
ALELUIA, SENHOR!...


De: João Costa Filho



publicado por jpcfilho às 21:38
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Sábado, 1 de Julho de 2006

Pedaços


'Echoes of the past' de San Base
                                          “Echoes of the past”  de San Base


Sinto cair de mim
pedaços.
Fogem de mim
momentos
que se vão,
que somem
e voltam.
Pedaços, lembranças
despedaçadas
de sombras
que não voltam.
Não sou mais o mesmo
e me arrasto
incompleto,
à procura das falhas
das verdades,
que me fazem distante
de mim,
dispersivo.
Não me falem mais
de verdade,
que não quero ouvir.
No momento,
prefiro mentiras agradáveis...


De: João Costa Filho




publicado por jpcfilho às 19:55
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