Sábado, 26 de Novembro de 2005

PARTIDA (Translúcido)


'Peace' de Orah Moore
                                                          "Peace"  de Orah Moore


Antes da partida,
ninguém lhe fez uma
observação digna,
o escutou
ou lhe perguntou
de sua agonia,
nem ouviu quando gemia.
Ninguém lhe fez companhia
ou se interessou
por seus poemas.
Ninguém, ninguém o amou
um dia
de verdade
ou com ele ficou
ou com ele pecou,
qualquer pecado...
Ninguém lhe disse adeus
ou quis saber sequer
quando ia partir
ou se ia ficar.
Ninguém viu a lágrima,
a última lágrima baldia
que escorria,
precipitando
em metáforas de dor
e de amor.
Ninguém realmente
o via...
Ontem ele partiu...
Então, falaram de saudade,
que antes lhe saberia tão bem
e hoje não lhe faz falta...
As insuspeitas qualidades
emergiram tardiamente,
fazendo mal à lembrança...
Sinceramente,
ninguém sabia dele.
Porquê sabê-lo agora?...


De: João Costa Filho



publicado por jpcfilho às 22:44
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5 comentários:
De Anónimo a 1 de Dezembro de 2005 às 00:42
Parabens, gostei particularmente deste (Partida),
em outros seus poemas que tambem achei belos,deleitei-me com as iconografias do Dali.Um abraço.AnibalAnibal
(http:///)
(mailto:Hannibal.lirotse@sapo.pt)


De Anónimo a 28 de Novembro de 2005 às 07:19
Alo Carlos gostei de teu texto-poema, muito bom, vai longe mesmo com areia nas botas...jpcfilho
</a>
(mailto:jpcfilho@sapo.pt)


De Anónimo a 28 de Novembro de 2005 às 07:16
Alo Gotadeamor, fico mui agradecido e honrado pelas visitas, fique vc à vontade nas cópias...obrigado...jpcfilho
</a>
(mailto:jpcfilho@sapo.pt)


De Anónimo a 27 de Novembro de 2005 às 12:58
Olá João ... Mais uma vez me deliciei com o teu poema ... Não consigo deixar de me emocionar quando te visito e te leio ... Perdi quase tudo de meu blog á uns tempos, e agora estou a tentar colocar em dia, com o que estava, que por acaso tinha guardado ... Quando estiver em dia, vou começar a publicar poemas teus. Aceita um beijinho com mt carinho e respeito.Gotadeamor
(http://poesiadiadia.blogs.sapo.pt)
(mailto:gotadeamor.@sapo.pt)


De Anónimo a 27 de Novembro de 2005 às 08:07
Caminhante da Areia
Sou um caminhante da areia
Meu passo é pesado e lento
Doe-me o pé na bota cheia
De grãos que espalha o vento

A cada avanço tentado
Mais preso me encontro ao chão
E o caminho já trilhado
Mais leve se afigura então

Há homens que caminham em flores
Outros em folhas de amendoeira
Mas há os que carregam dores
Pisam espinhos, pontas, pedreiras

Já não me queixo atualmente
Do caminho que me foi marcado
Caminhante experiente
Caminho com o caminhar resignado

Agora vejo com surpresa e agrado
Que queres caminhar ao meu lado
Logo tu que caminhavas em plumas
Me apareces saída das brumas
Querendo caminhar nessas dunas
Onde afundo os pés cansados
Do solitário caminhar caminhado

Benvinda seja, minha doce amiga
Vieste alegrar a minha jornada
Rezarei preces para que consigas
Ser companheira e minha bem-amada

Hás que deixar tudo o que carregas
Pois à areia só o teu peso entregas
De outro modo te afundam as pernas
Privando a mim de companhia terna

Se não puderes te despojar de tudo
Não suportares as dores do caminho
Lembrarei de ti sempre com carinho
Grato a ti prosseguirei sozinho
Porque comigo quase ninguém ombreia
Já que nasci para caminhar na areia
Carlos
(http://vagueando.blogs.sapo.pt/)
(mailto:c_m_a_n_u_e_l@hotmail.com)


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