Sexta-feira, 2 de Junho de 2006

Do fundo do baú (39)


'Insomnio' de Remedios Varo
                    "Insomnio"  de Remedios Varo


O Velho *

O Velho,
arrastando o chinelo,
resmungando à toa
na casa vazia,
nem escuta o silêncio.
O Velho,
de martelo na mão,
tentando matar o tempo
que o está matando,
cinzela a solidão.
O Velho
recrudesce o passado
do gigante que era
de grandes conquistas
e babilônias construídas.
O Velho
lembra os castelos que fez,
quando sorria com vontade
e foi moço um dia
e amava de verdade.
O Velho,
de boca aberta
e olhos cansados,
pensa saudade:
lembranças toldadas.
O Velho
passeia em si ontem,
na cadeira de balanço.
Um redemoinho hoje
lembra dos filhos.
Onde estarão?...
O Velho
nem lembra por que fez tantos
e alimentou-os
e beijou-os.
E cadê eles?
Sumiram porquê?
E o Velho,
resmungando à toa,
de olhos vazios,
de boca aberta e tino toldado,
nem sabe por que ficou sozinho.
Cadê os meninos?...


De: João Costa Filho

* 1.ª publicação – 29 de Outubro de 2005



publicado por jpcfilho às 22:07
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2 comentários:
De impressaodigital a 3 de Junho de 2006 às 01:40
e a solidão arrasta a alma...


De jpcfilho a 3 de Junho de 2006 às 23:24
A solidão Impressãodigital, arrasta alma aos confins do nada...abração.


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