Sexta-feira, 21 de Julho de 2006

Do fundo do baú (53)


'Peace' de Orah Moore
                                                          "Peace"  de Orah Moore


PARTIDA (Translúcido) *

Antes da partida,
ninguém lhe fez uma
observação digna,
o escutou
ou lhe perguntou
de sua agonia,
nem ouviu quando gemia.
Ninguém lhe fez companhia
ou se interessou
por seus poemas.
Ninguém, ninguém o amou
um dia
de verdade
ou com ele ficou
ou com ele pecou,
qualquer pecado...
Ninguém lhe disse adeus
ou quis saber sequer
quando ia partir
ou se ia ficar.
Ninguém viu a lágrima,
a última lágrima baldia
que escorria,
precipitando
em metáforas de dor
e de amor.
Ninguém realmente
o via...
Ontem ele partiu...
Então, falaram de saudade,
que antes lhe saberia tão bem
e hoje não lhe faz falta...
As insuspeitas qualidades
emergiram tardiamente,
fazendo mal à lembrança...
Sinceramente,
ninguém sabia dele.
Porquê sabê-lo agora?...


De: João Costa Filho

* 1.ª publicação – 26 de Novembro de 2005



publicado por jpcfilho às 21:05
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8 comentários:
De Zalinha a 22 de Julho de 2006 às 19:19
Felizmente nunca vivi sozinha embora já tenha exprimentado alguns momentos de solidão(aqueles em que embora esteja-mos rodeados de pessoas nos sentimos sós),mas penso que me seria muito dificil,se não impossivel mesmo habituar...a solidão deve ser o pior dos sentimentos...bj e bom fim-de-semana


De jpcfilho a 23 de Julho de 2006 às 09:09

Com certeza Zalinha, a solidão é o fim, pois o homem tem um chip que recomenda viver a dois...beijos


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