Sexta-feira, 28 de Julho de 2006

Aquela porta


'Contemplation' de Villalba
                        “Contemplation”  de Villalba


Aquela porta
que, calada, assistia
muitas de nossas brigas
e, impávida, emudecia,
quando nela batias
e por ela saías,
como um trem de ferro
ou miúra de narinas
resfolegantes
e, depois, voltavas ou
se arrependia,
se, com cuidado, a abrias
e entravas, solenemente,
para renovadas temporadas
de amor, carinhos, perdões,
juras, perjúrios,
carinhos mil, promessas
mil e renovadas promessas...
De tudo participava,
apenas, inerte
ou, das pancadas que recebia,
quando muito, rangia,
pois como eu
abria meu coração
ela também abria,
a cada volta, a cada agonia...
Hoje, fico ali a olhar,
a escutar
a porta, pelo menos, reclamar
e que adentres
cheia de euforia,
sem a porta machucar,
para mais um
recomeço de mim...


De: João Costa Filho



publicado por jpcfilho às 22:38
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2 comentários:
De Cöllyßry a 31 de Julho de 2006 às 15:53
Não escancarada de par em par, não com ferrolho de sete chaves, mas encostada para poder ser aberta no momento certo...
Meu esvoaçar com o meu doce olhar do meu Vitral...
Cõllybry


De jpcfilho a 31 de Julho de 2006 às 23:21
Grande Collybry, onde andaste esvoaçando? A quanto tempo...Obrigado pela visita...beijos


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